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Escrever e escrever, pensar, refletir... afinal não é para isso que existem os blogs? Por aqui vão passar ideias, palavras, pensamentos... tudo o que nos der na real gana... ou não seremos "Levada da Breca".
Os dias correm lentos, um após outro. Procuro algo para fazer e ocupar a mente. Dou por mim a pensar nas férias. Vá-se lá saber porquê…
Nestes dias em que a chuva ainda não chegou, mas a neve quis dar um ar da sua graça, lá mais para o norte. A ninguém lembrava que isto pudesse acontecer, as atenções estão concentradas noutras coisas, mas, pensando bem, estamos na Páscoa.
Nestes dias em que a manhã começa de noite e à tarde anoitece cedo… a hora mudou, mas as rotinas têm que se manter!
A vida continua, mas demora a passar e ainda bem… Não é isso que todos queremos? Talvez assim, o tempo corra mais devagar. IIusão pura, o que aquele bichinho havia de nos trazer?
Bem vistas as coisas, este é um sinal da natureza, a avisar-nos para vermos o que andamos a fazer. Hoje, um tempo com muito tempo, é bom… podemos pensar!
E eu penso e de repente vêm à memória as minhas férias de outros tempos que eram passadas na minha cidade, onde só voltava no Verão, em forma de imigrante.
Quando a maioria ia para a praia eu regressava à minha cidade. Praia tinha eu todo o ano. Ano cheio de saudades, esbatidas pelo olhar do mar, na areia, onde as ondas vinham também esbater-se.
A casa da minha avó também tinha saudades minhas e esperava, igualmente ansiosa, o meu regresso. Os campos ao redor também tinham saudades minhas e a primeira coisa que fazia, quando regressava para as férias de verão era voltar a saltar por eles.
Ali fui feliz! Naquele tempo, o horizonte estendia-se, os poços e as noras, estavam sempre lá e o perigo nem sequer era hipótese. Eles estavam lá, sempre à minha espera, minha e dos meus primos. E quando deambulávamos por lá e nos demorávamos, esquecidos entre as pedras e o mato… alguém da varanda chamava por nós. Não havia telrmóveis!
As brincadeiras eram desenvolvidas ali, no meio das pedras e do mato, das árvores e das hortas que não podíamos pisar. Aquela velhota com ar de bruxa, há sempre uma em todas as histórias, vagueava por ali, qual guardiã do tempo em que havia tempo, para brincadeiras, para asneiras e para o perigo que nunca víamos.
Era precisamente ali, entre os prédios que agora lá estão e que, sem eu perceber, foram subindo em altura e ocupar aquilo que chamávamos de Miradouro, ocuparam, igualmente, aquelas quintas. A casa da avó ainda lá está, mas já não é a casa da avó!
Era por aí, entre a casa da avó, o miradouro e as hortas e quintas, que desenvolvia as minhas brincadeiras. Eu e os meus primos, nas férias.
Para os dias menos bons, que também os havia, quando chovia. Lá estava a solução, no sótão da avó, nós chamávamos-lhe forro Ah!... se aquele forro falasse…
Era eu, a Tininha, a Tuxa e a Tété… que ali fomos crescendo… e aprendendo…primas muito unidas, mas depois a vida foi-nos afastando.
De tudo isto e mais alguma coisa, sobra de uma infância feliz! Muito Feliz!!!
Por ali, entre as hortas que o homem deixou de cultivar, o miradouro também desapareceu e, de repente, subiram prédios em altura, sem que para isso houvesse necessidade. Afinal a minha cidade é plana, não precisava de prédios altos!
No meio de tudo isto, sobrou aquela pedra!
Uma pedra que tantas vezes serviu de escorrega e que um dia me valeu um grande ralhete, seguido de um castigo, porque as calças, acabadinhas de estrear, novinhas, que a mãe acabara de fazer, chegaram rotas a casa. Sim, rotas! A culpa foi da pedra que resistiu ao tempo e à evolução e que ainda hoje lá está, para me lembrar a minha infância feliz e o castigo que me valeu. Mas, o que é certo, é que o prazer de ter escorregado pela pedra, esse ainda hoje resiste!
E as calças, puf, a mãe fazia outras. Sim, desde pequena que eu passeava os modelitos mais sofisticados da moda.
A mãe conta que passava pela única loja de roupa de criança que havia na cidade, parava junto à montra e fixava os modelos. Chegava a casa e fazia. Assim que saia à rua com o novo fato, saia, vestido, calças ou camisa, o sucesso era garantido.
Tanto que a vizinha do prédio cor de rosa logo se apressava a fazer igual para a filha. Invejosa!...
Mas, não havia problema. A mãe depressa se lançava a modificar tudo, para que eu continuasse a vestir modelos exclusivos!
É pois ela a culpada de eu ainda hoje ainda continuar a gostar de exclusivos.
Só que hoje a mãe já não faz os exclusivos e tenho que me sujeitar ao que existe nas lojas!
Mas as memórias que aquela pedra ma traz valem mais que tudo isso!