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Escrever e escrever, pensar, refletir... afinal não é para isso que existem os blogs? Por aqui vão passar ideias, palavras, pensamentos... tudo o que nos der na real gana... ou não seremos "Levada da Breca".
Ela queria. Ele também. Mas, para ela… a situação não se coadunava com o que sempre defendera. Não se conheciam pessoalmente e ela não admitia um relacionamento destes. Se mesmo quando as pessoas se conhecem bem e convivem lado a lado, as coisas não funcionam, o que se poderia esperar de um relacionamento virtual. Por outro lado, que tal arriscar? Poderia correr bem!

Foi relaxando e foi querendo. Queria conhecê-lo, estar com ele, frente a frente. Ouvir a sua voz, sem ser pelo telefone, olhá-lo nos olhos, sentir a sua presença, o seu cheiro…
E foi-se convencendo, ou deixando-se convencer. Não lhe disse nada, mas procurava mentalizar-se. E foi cedendo, cedendo, até que um dia aceitou a proposta de tomar o tal café.
Num sítio público. Na Gare do Oriente! Onde havia muita gente!
Não havia perigo. E combinaram. Dia e hora. Ela foi, ainda assim, a medo.
Sentou-se numa mesa, mais recatada… pois queria estar à-vontade para falar com ele e tentar descobrir o que não conhecia. Se bem que já ia sabendo algo. Mas nada melhor que um frente a frente. Ela sabia da sua doença. Ele fez questão de lhe contar. A vulgarmente conhecida por doença dos pezinhos, a Paramiloidose.
E estava assim nestes pensamentos quando alguém lhe tocou no ombro. Virou-se ansiosa. E ele ali estava. De muletas e muito mais bonito que nas fotografias. E a voz… hummm! Nada tinha a ver com a voz meiga do telefone. Era, ainda mais suave e ao mesmo tempo mais profunda. Ah! E aqueles olhos?
Ainda bem que aceitara aquele encontro para um café. Este foi, pois o primeiro de muitos cafés, embora não todos os que poderiam e deveriam ter bebido. E assim foram tendo muitas conversas de muitas cumplicidades. E continuaram. E ela foi percebendo, aos poucos, alguma fragilidade. Ele nunca procurou esconder a sua doença. E foi resistindo. E foi vivendo. Sabia que tinha pouco tempo de vida. E queria aproveitar ao máximo. E aproveitou!
E ela até aceitou casar com ele. Na aldeia dele. Uma grande festa, como ele merecia. Ela, juntamente com a mãe dele fizeram questão de que assim fosse. Foi um dia muito feliz para ambos, embora no semblante dela, quem estivesse atento percebia a sombra e a tristeza.
Ela, melhor que ninguém sabia que aquela felicidade ia durar pouco. Dias, semanas, meses. Era imprevisível. Não mais do que isso. Mas não ia permitir que nada estragasse o dia, o dia dele. Como ele quis. E assim foi. Correu tudo a preceito e todos perceberam que ele estava feliz e viveu o dia intensamente.
No final, já recolhidos no quarto, ele agradeceu-lhe e abraçou-se a ela. Ficaram assim por tanto tempo, que acabaram por adormecer.
No dia seguinte ela acordou sobressaltada e percebeu que estava sozinha, na cama. Levantou-se rápido, nem procurou o robe e foi mesmo assim, com a camisa de dormir branca, de cetim, curta. Fora ele que a escolhera para aquela noite.
Deu com ele, olhar sereno, sentado no na poltrona. Aquela que ela tinha escolhido escrupulosamente para ele.
Puxou-a e deu-lhe um beijo profundo e demorado. Sem saber porquê, ela estremeceu. Nunca lhe tinha dado um beijo assim. E voltou a agradecer-lhe, por lhe ter proporcionado o melhor dia da sua vida.
Não penses nisso. Teremos muitos mais e se calhar, ainda melhores. Foi um dia bonito, sim! Muito bonito! Mas teremos mais, podes ter a certeza. Ela começou a notar nele alguma fraqueza. Perguntou-lhe o que se passava. Ele fugiu e apenas lhe fez prometer que iria viver a vida dela alegremente!
Ela continuava preocupada percebia algo estranho nele. Não sabia o quê!
A partir desse dia ele ficava cada vez mais em casa. Já não saia, foi-se recolhendo e apenas se permitia passar as tardes no grande terraço da casa. As suas fragilidades e dificuldades iam piorando. Até que teria que ser internado.
Mas, não foi! Ela fez questão de lhe proporcionar todo o conforto e para isso preparou-lhe o quarto lá em casa.
Ela ficou ao lado dele, no quarto preparado como se fosse uma enfermaria, para que ele pudesse permanecer no seu ambiente.
Até que chegou a hora e ele partiu com um sorriso nos lábios e agarrado à mão dela,
Foi duro! Muito duro! Ela fez um luto prolongado, mas um dia, quando bebia café no terraço, lembrou-se do que lhe prometera! Que iria continuar com a sua vida e vivê-la alegremente.
Tinha que mudar, não podia continuar entregue ao sofrimento. Prometeu a si mesma que iria mudar. Não queria desiludi-lo, onde quer que ele estivesse. E desde esse dia que se permitiu continuar a viver, para cumprir a promessa que lhe tinha feito. Recomeçou a encontrar-se com os amigos e até fez obras em casa. Umas obras que já tinham sido faladas e que foram sendo adiadas. Pronto recuperara a sua normalidade. A promessa estava a ser cumprida!!
Estás tu descansadinha na tua vida, calma e às vezes até aborrecida e eis que, do nada surge alguém! Assim, de mansinho, como quem não quer nada. E tu até respondes e aceitas esta amizade virtual! Parece que agora é moda e quem as não tem está longe da realidade.

Só que esta, de todo, não é a tua! Mas vais, pelo menos ver como é, esta moda que todos falam. Dizem que assim começam grandes amizades e, às vezes até grandes amores! Não acreditas muito nisso, mas até tens vontade de experimentar e entras na ‘brincadeira’.
O que virá daí? Será que queres saber? Encolhes os ombros com alguma indiferença. Mas, se calhar até queres! E vais-te deixando envolver, com algumas falinhas mansas, em que nunca acreditaste! Então porquê agora? E a resposta não aparece, ou és tu que não queres saber! É uma dualidade de sentimentos e até de critérios!
E, assim, nessa letargia, vais-te deixando envolver, mas lutando contra isso. Pode ser, será?!... um jogo perigoso! Mas, se calhar queres jogá-lo!
E pronto, baixas a guarda e começas, também a jogar este jogo perigoso! Muito a medo, mas lá vais! As primeiras sensações que retiras até são positivas. Mas, continuas a medo!
Não pretendes nada com isso. Apenas falar com alguém, dasabafar, conhecer, discutir. E daí até provavelmente uma boa amizade.
E também refletes: Afinal aqueles que consideravas amigos, foram os primeiros a abandonar-te e a deixarem-te sem ninguém para falar.. Pode ser que daqui apareça uma outra amizade, quem sabe, até, mais verdadeira.
E aí vais… sem medos… ou a medo. Mas, de quê? Então vai! Sem olhar para trás!
Acabei de ouvir a entrevista de Ljubomir Stanisic, no Alta Definição. Um exemplo de ser humano, que lutou e não desistiu. Um percurso de vida interessante, com muitos percalços, muitos erros que, reconhece, terem sido o impulso para a vida que tem hoje de muito sucesso. Mas antes disso esteve na merda, como afirma. Foi nessa altura que soube o que era a AMIZADE! Ou melhor, a falta dela.

E quando mais precisou viu-se sozinho. Muitos, a maioria, virou-lhe as costas!
Mas ele resistiu e conseguiu dar a volta. Esse pretensos amigos ficaram, então fora do seu círculo. Mas a mágoa ficou! Hoje fala disso já com um à-vontade e distanciamento, que não conseguia na altura. Ficou magoado, mas seguiu a sua vida, com aqueles que ficaram ao seu lado. Chegou onde chegou, sem precisar dos falsos!
E mesmo sem querer, fiz um paralelo com as minhas amizades. Quando tinha tudo, tinha também muitos amigos/as. Depois, veio o divórcio, fiquei sem nada e até sem alguns deles! Nada que hoje já me preocupe, mas a revolta está cá!! Por isso tenho que abordar a questão!
Está bem presente e marcada a ausência a que essas pessoas me sujeitaram. Nada que me preocupe hoje em dia, me magoou muito, na altura e que ainda. Mas já não penso da mesma forma e acredito que se assim foi, era mesmo porque tinha que ser e que essas criaturas estavam a mais na minha vida!!
A ingratidão foi tão grande que depressa esqueceram aquilo que fiz por elas, fi-lo de coração e boa vontade. Hoje arrependo-me profundamente, por ter sido tão naif. Não, não voltaria a fazer tudo, de novo! NÃO!
Até porque, por causa dessas criaturas, afastei-me outras amizades, afastei-me de outras pessoas que hoje continuam a meu lado. Apesar de tudo!!

Esta é uma reflexão que vale a pena, porque chego à conclusão que há pessoas que só olham para o seu umbigo e são umas sem caráter! Usaram, abusaram e fugiram ou esconderam-se. A vida encarregar-se-á de dar resposta! Acredito!