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Já há muito que não partilhava palavras de outros. Regresso hoje com um tema importante e que urge discutir e refletir. Um tema que merecia, este sim(!) uma brainstorming, palavra tão na moda e que aqui assenta que nem uma luva!

Porque se vai arrastando, esquecendo, regressando, depois, quando tudo deveria ter sido analisado, discutido, tentando encontrar a solução ideal…. já é tarde demais, porque os incêndios devastam destroem matam! É à FORESTA QUE ME REFIRO!

Por um acaso, ‘encontrei’ o engenheiro José Bernardino Dias que conhece o terreno melhor que ninguém porque o calcorreou anos a fio…. E foi a ele que pedi algumas opiniões! De imediato respondeu positivamente. Enviou-me um texto, e depois outro! Considerei que essa escrita, essas ideias, esse saber, merecia ser divulgado, partilhado! Aqui fica!!!

 

 

FLORESTA 1.jpg

por José Dias Bernardino*

Permitam que Vos faça alguma história considerando experiências vividas em tempos idos. 

Um bom amigo fez me recordar uma região destes territórios de baixa densidade e desumanizados. Refiro me em concreto à GARDUNHA e deixem me dizer que será das áreas mais interessantes a diferentes níveis e especificidades. 

Tive a sorte/privilégio de percorrer muita desta região e posso garantir que a considero de uma beleza mais diversificada que a também muito bonita região do PINHAL. São regiões diferentes, mas onde vivem Pessoas fabulosas e de qualidade Superior. Tive a sorte de conhecer e partilhar saber com muitas.  

Pena é que incêndios florestais tenham vindo a percorrer em diferentes anos muitas destas áreas degradando e/ou delapidando todo este património que poderia/deveria ser considerado a base e o motor de desenvolvimento destas regiões. 

Teremos que saber enquadrar, direi mesmo desenvolver toda esta biodiversidade existente.

Nos tempos de aprendizagem estudava-se um fenómeno que acontecia em locais onde a floresta poderia ser considerada, em concreto nessas áreas, o complemento de uma outra actividade, também muito importante e que era e é a silvopastorícia. Refiro-me em concreto a uma situação que ocorreria na sequência de incêndios e que se denomina "ciclo da pobreza", a saber :

   Numa determinada área de pastagens eram realizadas queimadas controladas para promover a renovação/regeneração das referidas pastagens. O intervalo entre essas queimadas era de cinco ou seis anos.

- No ano a seguir à queimada ia surgindo um estrato herbáceo significativo que era uma alimento específico e de muito boa qualidade para os efectivos pecuários existentes; 

- Nos dois/três anos seguintes a qualidade da pastagem mantinha-se mas o espaço começava a ser ocupado por um estrato arbustivo que ao fim de quatro ou cinco anos dominava completamente todo o espaço/estação. 

- Cinco ou seis anos era o espaço de tempo que decorria entre cada queimada. 

Naturalmente haveria, sempre, fatores negativos a considerar.

De uma forma muito sucinta poder-se-ão referir alguns destes fatores:

   - Fenómenos erosivos e degradação do solo

   - Empobrecimento do solo

   - Degradação do estrato herbáceo. Haverá espécies interessantes para alimentação dos animais que "respondem" mal à passagem do fogo e que se iriam perdendo e haverá outras, talvez menos interessantes, que se desenvolverão de forma muito significativa na sequência da queimada.

Mais grave e de referir foram as alterações que começaram a ocorrer:

   - As queimadas deixaram de ser controladas, no espaço e no tempo, para se transformarem em incêndios florestais que começaram a percorrer áreas com diferentes dimensões e impactos muito mais negativos

   - A duração do ciclo entre queimadas, poder-se-à dizer mesmo incêndios, começou a ser muito mais curto, dois ou três anos, com todas as consequências negativas que lhe estão associadas. 

Saber compatibilizar floresta com passagem é trabalho que deverá merecer o melhor enquadramento técnico e legal e que os Técnicos Florestais sabem e sabem fazer para poder ajudar as Pessoas.

A silvopastorícia poderá e deverá ser assumida como um importante fator de desenvolvimento para este interior, sempre assumindo uma perspectiva de uso múltiplo do espaço.

  • Engenheiro florestal



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