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Escrever e escrever, pensar, refletir... afinal não é para isso que existem os blogs? Por aqui vão passar ideias, palavras, pensamentos... tudo o que nos der na real gana... ou não seremos "Levada da Breca".
Ele era casado! Ela sabia. Logo, não era para ela. E afastou-se. Aliás, quis afastar-se. Mas ele não deixou! E ela resistiu enquanto pode. Só que já não podia mais. Aliás, já não queria mais.
Pois se, afinal, era ele que tinha o compromisso e era ele que insistia, porque haveria ela de continuar a resistir.

E assim continuavam ambos, ele a insistir, ela a não resistir.
E num instante deixou-se apanhar! Gostou. Foi bom! Ele continuou a insistir e ela continuou a não querer resistir. E assim foram andando ao longo de meses. Uma relação que inicialmente era quase platónica. Muitas conversas, diversos desabafos, algumas confidências, certos conselhos… e, depois, algo mais físico. Sim… amaram-se… diversas vezes em diversos sítios. Ambos gostavam.
Tudo parecia estar bem!
Só que, um dia tudo descambou e chegou ao conhecimento da última pessoa que deveria saber. A esposa traída. E ele estremeceu, teve medo e recuou. Pediu desculpa à esposa e foi desculpado
A outra, é esse o nome dado, nestas situações, foi apanhada de surpresa.
Por duas vezes: por terem sido descobertos e por ele a ter deixado. Sim, era a outra. A dos desabafos, dos conselhos, da ajuda… da descarga, que estava sempre lá, para tudo, até para ser deixada! E foi deixada sem uma conversa, sequer.
Mas, continuou… levantou-se, seguiu…
Nunca mais o viu! Até ao dia em que a campainha toca! Ela vai, satisfeita, entusiasmada! Abre a porta com um sorriso que, de imediato se desvanece.
Ao fim de alguns meses… cinco, seis… já não sabia.
Ele lá estava e, do nada, colocou-lhe um ramo de fores nos braços!
Entrou sem ser convidado.
Ela continuava em estátua. O ramo de flores cai-lhe dos braços, já ele estava instalado no sofá dela. E foi aí que ela reagiu.
Sem dizer uma palavra levantou o braço. Indicador esticado, indicando a porta!
Ele levantou-se e tentou abraçá-la. Ela conseguiu fugir. Ele ficou espantado, e ela continuava indicando o caminho da porta. Ainda não se tinha ouvido uma palavra, mas ele percebeu tudo!
E lembrou-se do velho ditado: “Quem tudo quer, tudo perde!”
Saiu dali e, ainda no pátio do apartamento, cruzou-se com um sujeito que colocou a chave na porta dela, abriu e viu ela agarrar-se ao pescoço dele. Ela olhou, franziu a testa e encolheu os ombros, sorrindo para ele.
Saiu dali com as flores e foi entregá-las á outra que até então tinha sido a primeira, porque “a outra” tinha prosseguido com a sua vida. Enquanto ele vivera uma relação conturbada, de discussões… de tudo menos de partilha, amor… sequer felicidade!
Não queria admitir, mas sentiu-se traído e percebeu o que lhe tinha feito sentir, quando a deixou. Agora tinha que pensar a sua vida e sair dali, daquela relação onde apostou as fichas todas e onde acabou por perder, vendo a outra sair em aplausos!