Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



01
Nov20

Outubro Rosa: “Eu não pedi esta doença!”

por cristina mota saraiva

O cancro continua a ser um problema que tem que ser encarado de frente e com coragem, sem tabus e com vontade vencer. Tudo começa por aí!

Na segunda quinzena de Outubro destacaram-se duas datas importantes relacionadas com o tema: dia 15,  assinala-se o Dia Mundial da Saúde da Mama e dia 30,  o Dia Nacional de Luta Contra o Cancro da Mama.

outubro rosa.jpg

Neste sentido, a Associação Cultural e Desportiva da Carapalha realizou um colóquio sobre a temática, integrado na iniciativa Outubro Rosa. Foi no sábado, dia 31, que decorreu uma palestra com médicos, técnicos, a que juntaram uma serie de testemunhos.

A iniciativa da Associação teve como intuito, através de palestras com profissionais de saúde (médico e psicólogo), informar e alertar para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, falar sobre o impacto psicológico que o cancro da mama tem no doente e respetiva família; assim como partilhar alguns testemunhos reais, na primeira pessoa, e dar a conhecer o trabalho de voluntariado prestado pelo Núcleo Regional do Centro, explica em nota a organização.

Dada a situação que se atravessa, a iniciativa foi transmitida em direto na página de facebook da associação, o que permitiu um acompanhamento mais alargado por parte da população, dado que apenas 10 pessoas puderam assistir ao vivo.

Testemunho sereno que  mostrou que quando as coisas são encaradas, com responsabilidade, com calma, com esperança, tudo é mais fácil, dentro da anormalidade das coisas. Anormalidade que se vai tornando normal. São os sinais do tempo e daquilo a sociedade nos conduz. Felizmente que a ciência vai encontrando algumas soluções, ainda não as suficientes, mas o caminho faz-se.

Entre os presentes esteve Gina Marisa que deu nota do seu testemunho, enquanto doente.

Testemunho com uma serenidade que impressionou e que mostrou que quando as coisas são encaradas, com responsabilidade, com calma, com esperança, tudo é mais fácil, dentro da anormalidade da doença. Anormalidade que se vai tornando normal. São os sinais do tempo e daquilo a que a sociedade nos conduz. Felizmente que a ciência vai encontrando algumas soluções, ainda não serão as suficientes, mas o caminho faz-se.

Logo à partida sobressaiu das suas palavras uma crítica direta, pela falta de atenção que sentiu por parte dos médicos e profissionais de saúde.

O cancro de Gina Marisa foi-lhe diagnosticado em 2016. Mas, antes disso, passou por situações impensáveis e que deveriam ser refletidas pelos responsáveis da saúde desta cidade e mesmo deste país.

Conta Gina Marisa que o cancro foi-lhe diagnosticado em 2016.

Antes disso, em 2014,  encontrou um caroço que já era perfeitamente visível, a olho nu.

Foi de imediato à sua médica, que desvalorizou a situação. Ainda assim, mandou-lhe fazer uma  eco mamária e uma mamografia.

A médica viu os exames e disse-lhe que podia estar descansada, que era apenas um nódulo sebáceo e que regressasse no ano seguinte. Regressou em 2015, novos exames a mesma resposta. Mas, ainda assim, a mesma médica encaminhou-a  para o Hospital  Amato Lusitano. Aqui fizeram-lhe uma biopsia e disseram que depois mandariam o resultado por mensagem para o telemóvel. A doente não achou correta, esta forma de transmitir o resultado do exame, recusou e voltou no mês seguinte para saber o resultado.

Assim fez, mas as incongruências não iam ficar por aqui. A informação que recebe é que tinha havido pouca colheita de material e que por isso era necessário repetir.

Foi a Coimbra fazer nova biopsia, com a certeza de que podia estar descansada, que nada de mal se passava. Fez a viagem tranquila, acompanhada pela filha, o seu suporte imprescindível, ao longo de todo o processo.

Gina Marisa continuava ciente de que estava saudável e sem nenhum problema.

Já em Coimbra, a médica olhou para o nódulo, perfeitamente visível, segundo ela e de imediato a encaminhou para a biopsia, afirmando que tinha cancro da mama.

“Caiu-me tudo. Estava a viver sozinha, com a minha  filha, que foi  quem me amparou e deu força para enfrentar todo este processo!, vincou.

“Tinha medo de morrer, lembrei-me de uma prima que tinha falecido há pouco com o mesmo problema. Mas, nem tudo foi mau e isso não era plausível, uma vez que o cancro era hormonal”, continua Gina Marisa.

De qualquer forma recorda que foram tempos muito difíceis. “Estava sozinha, fiquei desempregada e com uma filha menor para criar”. Entretanto, é operada à mama direita dois dias antes de fazer 38 anos.

Depois, fez seis ciclos de quimioterapia e a seguir radioterapia. A quimioterapia foi “excelente”, não teve grandes efeitos secundários.

Ficou com extremo apetite e teve a excelente reação de não se fechar em casa. Muitas vezes com algumas dificuldades. Mas nunca se entregou à doença. Mesmo quando  tinha que pedir ajuda à filha para poder andar e dar pequenos passeios. “ Nunca fiquei em casa a pensar na doença e muito menos na cama. A minha filha arranjava formas sempre diferentes de me colocar o lenço e sempre brinquei com a situação!”.

No entanto refere que algumas vezes se sentiu discriminada e pior, gozada.

“As pessoas são más e esquecem-se que eu não pedi esta doença e nós ficamos extremamente frágeis”, realça.

E recorda que houve alturas em que só  lhe apetecia deitar-se na cama e morrer. Mas a filha não deixou. “Deu-me de comer, deu-me os comprimidos (eu tinha muitas dores), ou seja, tratou de mim e obrigou-me a reagir”, concluiu.

 


2 comentários

Sem imagem de perfil

Anónimo 02.11.2020

Ainda existe o estigma que o cancro é uma sentença de morte!
No entanto, a evolução científica já oferece grandes possibilidades de cura.
O impulso de aceitar e questionar 'qual é o próximo passo a dar?' pode trazer grandes vantagens no decorrer dos tratamentos. Confiar e acreditar nos profissionais e ser positivo, tentar eliminar a vitimização ajuda a conservar a tranquilidade necessária a encarar todas as,dificuldades.
Imagem de perfil

redonda 07.11.2020

Gostei de saber sobre a Gina Marisa e sobre o apoio que lhe deu a filha

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor


Arquivo

  1. 2025
  2. JAN
  3. FEV
  4. MAR
  5. ABR
  6. MAI
  7. JUN
  8. JUL
  9. AGO
  10. SET
  11. OUT
  12. NOV
  13. DEZ
  14. 2024
  15. JAN
  16. FEV
  17. MAR
  18. ABR
  19. MAI
  20. JUN
  21. JUL
  22. AGO
  23. SET
  24. OUT
  25. NOV
  26. DEZ
  27. 2023
  28. JAN
  29. FEV
  30. MAR
  31. ABR
  32. MAI
  33. JUN
  34. JUL
  35. AGO
  36. SET
  37. OUT
  38. NOV
  39. DEZ
  40. 2022
  41. JAN
  42. FEV
  43. MAR
  44. ABR
  45. MAI
  46. JUN
  47. JUL
  48. AGO
  49. SET
  50. OUT
  51. NOV
  52. DEZ
  53. 2021
  54. JAN
  55. FEV
  56. MAR
  57. ABR
  58. MAI
  59. JUN
  60. JUL
  61. AGO
  62. SET
  63. OUT
  64. NOV
  65. DEZ
  66. 2020
  67. JAN
  68. FEV
  69. MAR
  70. ABR
  71. MAI
  72. JUN
  73. JUL
  74. AGO
  75. SET
  76. OUT
  77. NOV
  78. DEZ
  79. 2019
  80. JAN
  81. FEV
  82. MAR
  83. ABR
  84. MAI
  85. JUN
  86. JUL
  87. AGO
  88. SET
  89. OUT
  90. NOV
  91. DEZ
  92. 2018
  93. JAN
  94. FEV
  95. MAR
  96. ABR
  97. MAI
  98. JUN
  99. JUL
  100. AGO
  101. SET
  102. OUT
  103. NOV
  104. DEZ
  105. 2017
  106. JAN
  107. FEV
  108. MAR
  109. ABR
  110. MAI
  111. JUN
  112. JUL
  113. AGO
  114. SET
  115. OUT
  116. NOV
  117. DEZ
  118. 2016
  119. JAN
  120. FEV
  121. MAR
  122. ABR
  123. MAI
  124. JUN
  125. JUL
  126. AGO
  127. SET
  128. OUT
  129. NOV
  130. DEZ
  131. 2015
  132. JAN
  133. FEV
  134. MAR
  135. ABR
  136. MAI
  137. JUN
  138. JUL
  139. AGO
  140. SET
  141. OUT
  142. NOV
  143. DEZ