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Escrever e escrever, pensar, refletir... afinal não é para isso que existem os blogs? Por aqui vão passar ideias, palavras, pensamentos... tudo o que nos der na real gana... ou não seremos "Levada da Breca".
O cancro continua a ser um problema que tem que ser encarado de frente e com coragem, sem tabus e com vontade vencer. Tudo começa por aí!
Na segunda quinzena de Outubro destacaram-se duas datas importantes relacionadas com o tema: dia 15, assinala-se o Dia Mundial da Saúde da Mama e dia 30, o Dia Nacional de Luta Contra o Cancro da Mama.

Neste sentido, a Associação Cultural e Desportiva da Carapalha realizou um colóquio sobre a temática, integrado na iniciativa Outubro Rosa. Foi no sábado, dia 31, que decorreu uma palestra com médicos, técnicos, a que juntaram uma serie de testemunhos.
A iniciativa da Associação teve como intuito, através de palestras com profissionais de saúde (médico e psicólogo), informar e alertar para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, falar sobre o impacto psicológico que o cancro da mama tem no doente e respetiva família; assim como partilhar alguns testemunhos reais, na primeira pessoa, e dar a conhecer o trabalho de voluntariado prestado pelo Núcleo Regional do Centro, explica em nota a organização.
Dada a situação que se atravessa, a iniciativa foi transmitida em direto na página de facebook da associação, o que permitiu um acompanhamento mais alargado por parte da população, dado que apenas 10 pessoas puderam assistir ao vivo.
Testemunho sereno que mostrou que quando as coisas são encaradas, com responsabilidade, com calma, com esperança, tudo é mais fácil, dentro da anormalidade das coisas. Anormalidade que se vai tornando normal. São os sinais do tempo e daquilo a sociedade nos conduz. Felizmente que a ciência vai encontrando algumas soluções, ainda não as suficientes, mas o caminho faz-se.
Entre os presentes esteve Gina Marisa que deu nota do seu testemunho, enquanto doente.
Testemunho com uma serenidade que impressionou e que mostrou que quando as coisas são encaradas, com responsabilidade, com calma, com esperança, tudo é mais fácil, dentro da anormalidade da doença. Anormalidade que se vai tornando normal. São os sinais do tempo e daquilo a que a sociedade nos conduz. Felizmente que a ciência vai encontrando algumas soluções, ainda não serão as suficientes, mas o caminho faz-se.
Logo à partida sobressaiu das suas palavras uma crítica direta, pela falta de atenção que sentiu por parte dos médicos e profissionais de saúde.
O cancro de Gina Marisa foi-lhe diagnosticado em 2016. Mas, antes disso, passou por situações impensáveis e que deveriam ser refletidas pelos responsáveis da saúde desta cidade e mesmo deste país.
Conta Gina Marisa que o cancro foi-lhe diagnosticado em 2016.
Antes disso, em 2014, encontrou um caroço que já era perfeitamente visível, a olho nu.
Foi de imediato à sua médica, que desvalorizou a situação. Ainda assim, mandou-lhe fazer uma eco mamária e uma mamografia.
A médica viu os exames e disse-lhe que podia estar descansada, que era apenas um nódulo sebáceo e que regressasse no ano seguinte. Regressou em 2015, novos exames a mesma resposta. Mas, ainda assim, a mesma médica encaminhou-a para o Hospital Amato Lusitano. Aqui fizeram-lhe uma biopsia e disseram que depois mandariam o resultado por mensagem para o telemóvel. A doente não achou correta, esta forma de transmitir o resultado do exame, recusou e voltou no mês seguinte para saber o resultado.
Assim fez, mas as incongruências não iam ficar por aqui. A informação que recebe é que tinha havido pouca colheita de material e que por isso era necessário repetir.
Foi a Coimbra fazer nova biopsia, com a certeza de que podia estar descansada, que nada de mal se passava. Fez a viagem tranquila, acompanhada pela filha, o seu suporte imprescindível, ao longo de todo o processo.
Gina Marisa continuava ciente de que estava saudável e sem nenhum problema.
Já em Coimbra, a médica olhou para o nódulo, perfeitamente visível, segundo ela e de imediato a encaminhou para a biopsia, afirmando que tinha cancro da mama.
“Caiu-me tudo. Estava a viver sozinha, com a minha filha, que foi quem me amparou e deu força para enfrentar todo este processo!, vincou.
“Tinha medo de morrer, lembrei-me de uma prima que tinha falecido há pouco com o mesmo problema. Mas, nem tudo foi mau e isso não era plausível, uma vez que o cancro era hormonal”, continua Gina Marisa.
De qualquer forma recorda que foram tempos muito difíceis. “Estava sozinha, fiquei desempregada e com uma filha menor para criar”. Entretanto, é operada à mama direita dois dias antes de fazer 38 anos.
Depois, fez seis ciclos de quimioterapia e a seguir radioterapia. A quimioterapia foi “excelente”, não teve grandes efeitos secundários.
Ficou com extremo apetite e teve a excelente reação de não se fechar em casa. Muitas vezes com algumas dificuldades. Mas nunca se entregou à doença. Mesmo quando tinha que pedir ajuda à filha para poder andar e dar pequenos passeios. “ Nunca fiquei em casa a pensar na doença e muito menos na cama. A minha filha arranjava formas sempre diferentes de me colocar o lenço e sempre brinquei com a situação!”.
No entanto refere que algumas vezes se sentiu discriminada e pior, gozada.
“As pessoas são más e esquecem-se que eu não pedi esta doença e nós ficamos extremamente frágeis”, realça.
E recorda que houve alturas em que só lhe apetecia deitar-se na cama e morrer. Mas a filha não deixou. “Deu-me de comer, deu-me os comprimidos (eu tinha muitas dores), ou seja, tratou de mim e obrigou-me a reagir”, concluiu.