A dor da última despedida vem acompanhada de uma saudade sem fim. O meu pai deixou-nos. O Amadeu Mota Saraiva faleceu ontem ao final da tarde. A saúde já estava muito debilitada e os seus 87 anos não resistiram. Partiu e ficará, agora a olhar por todos nós. Teve uma vida ativa e foi um grande comunicador. O associativismo estava-lhe nas veias, tendo sido dirigente de algumas agremiações da cidade... e não só. Quando esteve cinco anos na Madalena, freguesia de Vila Nova de Gaia, também aí foi dirigente do clube local, o Atlântico da Madalena. Era um homem de família. Um marido atento e preocupado, um pai solicito e extremoso. No seu tempo, depois dos estudos, tornou se Contabilista, mas depressa se embrenhou no mundo do jornalismo e trabalhou em diversos jornais e rádios locais e nacionais, depois de ter começado aqui pela cidade no jornal Beira Baixa, de fraca memoria, e posteriormente no Reconquista. O Amadeu Mota Saraiva deixou-nos. A sua memória permanece e os seus escritos ficarão para sempre. O facto de ter desenvolvido uma intensa colaboração no Jornal Reconquista, e nas diversas associações onde passou, tornou-o um homem conhecido e acarinhado por toda a cidade. O Mota Saraiva deixou-nos! Paz à sua alma! Eu, enquanto filha mais velha, acompanhei-o em muitas das suas atividades. Talvez por isso mesmo me tornei, como ele, jornalista. Lembro-me de estar a seu lado em diversos trabalhos e de ter começado por aí a interessar-me pela área. A memória mais antiga que tenho dele, enquanto jornalista é a da Rádio Altitude da Guarda. Na altura ainda não tínhamos telefone em casa e ele, depois de um trabalho, tinha que enviar som para a Guarda. A solução foi recorrermos ao vizinho da frente, o senhor Fidalgo, que gentilmente nos abriu a porta da sua casa e permitiu que o meu pai utilizasse o seu telefone, para transmitir a ‘peça’ solicitada. Depois, a partir daí, comecei a acompanhá-lo, nalguns trabalhos. Teria, talvez, uns doze anos. Fui com ele à Volta a Portugal, aos ralis e às conferências de imprensa, essas mais aborrecidas! Mas fui sempre! Assim nasceu, também, a minha paixão pelo jornalismo. O Mota Sarava deixou-nos! Paz à sua alma! Permanecerá sempre connosco! 
Cristina Mota Saraiva |