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Escrever e escrever, pensar, refletir... afinal não é para isso que existem os blogs? Por aqui vão passar ideias, palavras, pensamentos... tudo o que nos der na real gana... ou não seremos "Levada da Breca".

Dizem que hoje, 13 de Fevereiro, é o dia da RÁDIO!
A minha grande paixão: a rádio. Foi ela que me conduziu a outra paixão maior: o jornalismo.
Tudo ficou perfeito quando consegui juntar as duas, não da forma como queria, mas da possível.
O jornalismo escrito, conquistou-me e aí continuei, e permaneci fazendo, sempre que possível, uma incursão na rádio. Estive na génese de uma das rádios em Castelo Branco, já de fraca memória, a Rádio Juventude.
Um dia conheci uns maluquinhos (era mesmo assim que eram conhecidos) que faziam umas experiências a pensar criar uma rádio e, curiosa como sempre fui, juntei-me a eles. Na altura, já faziam um programa para a rádio Altitude, da Guarda. As gravações eram feitas no sótão de um desses elementos. Um dia pedem-me para ler um texto! Foi o inicio! Já não larguei a rádio.
O projeto ia crescendo e do sótão passou para os camarins do velhinho palco que existia no Parque da cidade, hoje já desaparecido A rádio pirata impunha-se e veio a legalização. Falo da Rádio Juventude, a primeira e que ficou pelo caminho!
Depois de terminar o secundário, comecei a frequentar mais assiduamente o local onde se fazia rádio: a Rádio Juventude, lembram-se? A coisa começava a ser séria. Aautarquia cede, então, umas instalações no Castelo, numa casa que anda resiste. A euforia tomava conta de mim, cada vez que subia as ruas ´ngremes do Castelo. Fazia rádio e fazia bem!
Terá sido por isso que, um dia, um responsável do Jornal Reconquista, foi ver de mim, para integrar o jornal.
O sonho do jornalismo começava a cumprir-se.
Ainda assim não deixei a rádio e porque comecei a trabalhar a “meio tempo”, no Reconquista. De inicio, sobrava tempo para continuar a fazer rádio! Tudo perfeito!! A Rádio Juventude foi a pioneira, a primeira ‘pirata’ na cidade. E por ali me mantive, de forma voluntária, por carolice e com a vontade de cumprir sonhos! Estava a cumprir!
Começam a aparecer outras rádios, já com suportes de instituições, de gente com dinheiro, de outros curiosos.
E eu continuava fiel à Rádio Juventude, que se tornava cada vez mais apetecida na cidade. A cooperativa crescia entravam pessoas, pelos mais dversos motivos e das mais diferentes áreas.
Eu continuava por carolice. O Reconquista convida-me para integrar os quadros. O sonho aconteciaagora no jornal!!
Ainda assim, e apesar de alguns entraves que iam surgindo, continuei a fazer rádio. No jornal também ia crescendo e fui responsável por diversos projetos inovadores, entre eles, uma página infantil: Arco Íris!
Apesar de alguns entraves, a página permanecia e era apreciada. Continuou até que deixou de se justificar e porque um dos suportes da sua realização: Joaquim Coloa, saiu da cidade, seguia a sua vida profissional de Educador de Infância, não sei se ainda é este o nome dado à profissão. O tempo escasseava e eu, não sendo a minha área, não me atrevi a continuar sozinha, com o Arco Iris.
A Rádio Juventude continuava, mas já de forma menos intensa e com situações que iam acontecendo e que me levavam ao afastamento e à desilusão.
Um dia recebo o convite para outra rádio, a Rádio Beira Interior, na altura, hoje Rádio Castelo Branco. Sabendo da incompatibilidade, mas a precisar do dinheiro que me iam pagar, escrevo uma carta ao presidente da direção da Rádio Juventude, dando conta do que se estaca a passar e frisando que precisava do ordenado que me prometeram e me pagaram sempre.
O presidente da rádio, disse perceber a situação e que não havia problema. Mas, houve!
Passados alguns meses, recebo uma carta dando conta da minha expulsão da Rádio Juventude, por incompatibilidade. Carta essa assinada pelo senhor com quem tinha falado e que se mostrou compreensivo.
Acatei a decisão e mais nada disse. Continuei a fazer rádio.
A Juventude continuava no meu coração e dia após dia, ia percebendo que não estava no bom caminho. Aliás, acho que todos percebiam, mas não quiseram perceber. A falta de tempo alegada, todos tinham as suas profissões, a falta de visão, a falta de empenho, mas querendo dar continuidade ao projeto, a rádio acaba por ser entregue nas mãos erradas. Eu continuava a fazer rádio e queria fazê-lo mais a sério. Até que a Rádio Urbana faz um convite interessante ao Jornal Reconquista, para a realização de um programa em conjunto. A ideia do programa era pegar no jornal, ter um convidado e analisar as noticias da semana: “Dar k falar”. Foi, sem dúvida o melhor da rádio que se fez em Castelo Branco. Um projeto que deixou muitas saudades e que durou até que deixou de fazer sentido para ambas as partes, porque o cansaço venceu. Acabou! Nunca mais, a nível de rádio, se fez igual na cidade, nem será fácil voltar a fazer!!!
Era uma vasta equipa de jornalistas! Do Reconquista: Artur Jorge, Cristina Mota Saraiva, José Furtado, Júlio Cruz, Lídia Barata e da Urbana Cristina Valente e Pedro Sobral.
Foi, sem duvida o melhor projeto no qual participei. Fica para a história. A Rádio Juventude foi definhando, até que acabou, definitivamente! Não fiquei contente, como é obvio, ninguém gosta de ver morrer algo que ajudou a criar e a crescer, mas deixou mágoa. Para terminar este texto, fica a minha reflexão: eu era incompatível, saí! Os compatíveis ficaram. A rádio acabou! É só isto. Viva a rádio!!!...Que um dia se faça a história dela, na cidade!

FOTOS: Numa das emissões para a Rádio Juventude, em diversos diretos realizados. Esta emissão decorreu no antigo posto de Turismo, no Passeio Verde(em cima); A equipa do Falar k Falar" na rádio U rbana (em baixo), com o convidado da semana, João Petrica.