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10
Fev22

Escada para o Céu

por cristina mota saraiva

Um dia destes, deambulando pelo Facebook, deparei-me com uma publicação, com foto, sobre a peça de arte pública “Stairway to heaven”, da autoria de Didier Fiuza Faustino, que dizia: “Estou em viagem e parei em Castelo Branco tendo visto este (?) que não consigo saber o sentido/objetivo/utilidade, alguém me sabe esclarecer? Obrigada”. Muitos comentários apareceram, na tentativa de explicação. Muitos deles legítimos e com intuito positivo, outros perfeitamente ridículos e com a intenção de denegrir o facto e assim, e mais uma vez a cidade. Percebo aqueles que com boa vontade e saber acolher quem vem de fora, procuraram dar uma explicação plausível. Não percebo aqueles que, aproveitando a situação, não se cansaram de denegrir a peça, a autoria e a própria autarquia por ter “dispendido” verba numa ‘coisa’ daquelas.DIDI 1.jpgConsidero lamentável o tipo de comentários que se fizeram, sem sequer se preocuparem em saber uma explicação a contento. Gostei de ver aqueles que lembraram um projeto das calendas, que ficou pelo caminho, o tão falado ’funicular’. Pelo menos tentaram uma explicação pela positiva e que poderia encaixar perfeitamente na resposta.

De forma simpática e solicita tentaram responder, positivamente e, por consequência  “acolher” quem nos visita e quer saber algo da nossa cidade. Foi bonito. Não estavam certos, mas demonstraram preocupação e empatia por que vem à cidade, pela primeira vez.

Mas claro que logo apareceram os profetas da desgraça, para quem tudo está mal e nada é positivo.

Porque se gastou muito dinheiro, porque o artista encheu os bolsos, enfim… e outros impropérios.  É nestas alturas que lamento que este país não tenha ficado uma província de Espanha Deveríamos aprender muito com eles, que defendem com garras tudo o que lhes pertence e valorizam e se exacerbam contra quem tenta denegrir o que as suas coisas, a sua cultura.

Aqui há tempos critiquei um programa de televisão de suposto humor, mas que não passou de um programa ordinário e aqui d' el rei, que me acusaram de não defender os interesses da cidade! Agora deparo-me com isto. Seria bom que as pessoas se informassem um pouco mais. Trata-se, sim de uma obra de arte que, goste-se ou não, foi feita por um artista de renome e acolhido pelo mundo: Didier Fiuza Faustino! Mas ao bom estilo português o que é nosso não vale nada, se víssemos isto em Madrid ou em Londres teria outro valor, mas sendo em Castelo Branco, é isto. Ah e a obra tem lá a explicação!!! Aqui fica: “Rejeitando o modelo de grandes conjuntos habitacionais, «Stairway to Heaven» transgride o motivo de uma escada, dando ao indivíduo a oportunidade de se enjaular nela. O espectador, enquanto se movimenta sozinho na plataforma elevada, domina um território enquanto se submete à vigilância. «Stairway to Heaven» joga com a ambiguidade do público e do privado: oferece um espaço público para uso individual e utiliza o modelo de uma escada de habitação coletiva, que é um espaço público dentro de uma propriedade privada”.

É lamentável o tipo de comentários que se fazem! Aqui há tempos critiquei um programa de televisão de suposto humor, mas que não passou de um programa ordinário e aqui d' el rei, que não defendo os interesses da cidade! Agora deparo-me com isto. Seria bom que as pessoas se informassem um pouco mais. Trata-se, sim de uma obra de arte que, goste-se ou não, foi feita por um artista de renome e acolhido pelo mundo: Didier Fiuza Faustino! Mas ao bom estilo português o que é nosso não vale nada, se víssemos isto em Madrid ou em Londres teria outro valor, mas sendo em Castelo Branco, é isto. Ah e a obra tem lá a explicação (se ainda não foi vandalizada)!!! Mas, aqui fica: “Rejeitando o modelo de grandes conjuntos habitacionais, “Stairway to Heaven” transgride o motivo de uma escada, dando ao indivíduo a oportunidade de se enjaular nela. O espectador, enquanto se movimenta sozinho na plataforma elevada, domina um território enquanto se submete à vigilância. «Stairway to Heaven» joga com a ambiguidade do público e do privado: oferece um espaço público para uso individual e utiliza o modelo de uma escada de habitação coletiva, que é um espaço público dentro de uma propriedade privada.

Didier Fiúza Faustino, um pouco da sua história e dos locais onde está representado: Nasceu em França, em 1968. Expondo colectivamente desde 1996, destaca-se a sua participação na Bienal de Arquitectura de Veneza em 2000, a sua representação no pavilhão português na Bienal de Arquitectura de Veneza de 2004, na 27.ª Bienal de São Paulo (2006, na selecção internacional) e, mais recentemente, na Airs de Paris, do Centre Georges Pompidou (2007).

Que fique claro que eu não sou propriamente uma admiradora da obra. Mas respeito!

Para terminar posso dizer, aindaque a peça foi financiada pela Tabaqueira e a autarquia albicastrense apenas se limitou a escolher o local onde a colocar. E ainda bem que foi Castelo Branco a cidade escolhida!


2 comentários

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Anónimo 25.02.2023

Bem, filosofias à parte, é uma estrutura horrenda e que nada se enquadra com a cidade. Quando foi colocada, pensei que fosse uma estrutura de apoio às obras. O horror quando soube que era permanente, sentimento que volta sempre que passo por ali.
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Só lamento que ao continuar a criticar, e é
legitimo, não tenha a ombridade e coragem de se identificar. Ok, está apresentado!!

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