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31
Jul21

As saudades improváveis…

por cristina mota saraiva

Nunca fui de estar muito parada. E se algumas vezes utilizei aquela expressão de que “ se um dia me sair o euromilhões, deixo de trabalhar”… Cedo me convenci de que não seria bem assim. Não! Não tenho feitio para a ociosidade. Não sou capaz de estar sem fazer nada.

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Só que, por contingências da vida, cedo me vi “arrumada”, era assim que me sentia. Por questões de saúde e apesar de toda a luta que travei, acabei por me ver reformada por invalidez. E aqui o termo invalidez é demasiado forte. E por isso, e apesar de tudo, trabalhei afincadamente, para contrariar aquilo que a primeira médica que me observou em Castelo Branco, me disse, com ar e desdém:

“ - Você nunca mais vai sair dessa cadeira de rodas!” Acho que já não é a primeira vez que conto esta história. Relembro porque, e mais uma vez, se prova que a determinação e a força para contrariar uma linha da vida, podem ter bons e grandes resultados. Aconteceu comigo.

Quando sai do consultório já estava ciente de que iria, sim, sair da cadeira de rodas. E bastou ano e meio, para deixar a cadeira e apoiar-me num tripé. Outro ano e também deixei o tripé.

O caminhar ainda não é muito sustentado, mas, agora é só continuar a trabalhar, para que esse equilíbrio seja a cada dia maior.

Mas, como ia dizendo em cima, a ociosidade é coisa que me deixa fora de mim, não é para mim. Nesse sentido, e dadas as minhas limitações, queria encontrar algo onde me sentisse útil e desenvolvesse alguma atividade.

Acabei por dar entrada na Associação de Apoio à Criança do Distrito de Castelo Branco. Aqui abriram-se horizontes e o futuro deixa antever outros talvez mais alargados.

Tudo isto a propósito das saudades improváveis. As saudades que já sinto e ainda só agora começou.

Na Associação abriram-se diversos caminhos. Novas pessoas, novos amigos, novas hipóteses. Aqui tudo recomeçou a fazer sentido!

Isto a propósito de que ao pensar que vou estar afastada um mês, arrepio-me. Porque vou ficar sem algumas das atividades que me alimentam a alma e o espírito. Porque vou estar longe dos meus amigos, aqueles que fiz ali e que conseguiram, facilmente suplantar aqueles que um dia frequentaram a minha casa e que, depois, se foram, quando a doença veio.

Não fazem falta e não é a eles que quero destacar. Quero falar destas saudades, do espaço, do trabalho, do empenho, dos amigos que ali fiz. Claro que uns mais que outros. Mas que a todos trago comigo. E sim, há alguns mais especiais, mas isso é como tudo na vida!... depois há outros que pela postura ou  pela personalidade, não se coadunam com a minha forma de ser, e pensar, de estar!

Mas, pronto, tudo para realçar a falta que as coisas que pensávamos improváveis, nos deixam, apenas porque vamos estar um mês afastados.

Sim, claro que todos merecemos férias. Isso é mais que obvio! Mas, falando no meu caso pessoal, mesmo que fosse a qualquer lado de férias, ia muito mais descansada se soubesse que a qualquer momento que quisesse regressar poderia faze-lo. Não é o caso, mas é perfeitamente compreensível que assim seja.  Mas aqueles que pelos diversos motivos, não têm hipótese de fazer qualquer tipo de atividade, no período de férias da Associação, sentem a sua falta. É o meu caso! Sim, é verdade, nunca pensei que assim seria!! Mas é!

Agora resta enfrentar este mês e procurar atividade! … A escrita é uma delas!!



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