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Escrever e escrever, pensar, refletir... afinal não é para isso que existem os blogs? Por aqui vão passar ideias, palavras, pensamentos... tudo o que nos der na real gana... ou não seremos "Levada da Breca".
Entrelaçaram os dedos, palma da mão com palma da mão e seguiram pelos trilhos previamente escolhidos.
Tudo ao redor parecia ser cúmplice daquele quadro e o caminho era de felicidade.
Não havia ninguém…só os outros lá mais à frente…porque ninguém ousaria interromper tal quadro.
Por isso eles caminhavam, sem se aperceberem que faziam parte de uma tela idílica, que qualquer casal gostaria de protagonizar.

Não falavam, não era preciso. Estava tudo dito!
Apenas o vento suave queria participar naquele silêncio que mais nada, nem ninguém ousava beliscar.
Não ! Apenas o sussurro dos pés na terra seca queria marcar presença.
De resto, tudo era deles. Só deles, sobretudo o chão de terra seca do caminho tantas vezes pisado, mas poucas vezes sentido.
Naquele cenário campestre, até os pássaros compunham a paisagem, onde nem a cumplicidade faltava.
Faltavam, sim, as palavras, que se tornavam desnecessárias, se existissem. Caminhavam, assim nesta bolha de amor, que há muito esperavam pudesse acontecer.
E acontecia, ali, no meio do silêncio, para que eles gritassem os gestos que há muito esperavam dizer. Concretizaram ali o seu desejo, sem lembrar que os outros caminhavam lá mais à frente, sem se lembrarem já, que eles tinham ficado na relva húmida. Ou lembraram…
E eles disseram… e fizeram e concretizaram e aconteceu!
A relva estava ainda húmida, depois da última rega.
E eles foram ficando. Os outros perceberam que eles precisavam ficar e foram… deixando-os na sua bolha.
E sem saber como, a bolha rebentou de tanto sentimento mutuo que se foi atrofiando, deixando-os atrofiados.
A bolha não aguentou. Ele invadiu a sua intimidade, depois de um beijo profundo, com a língua a explorar o mais recôndito espaço da boca dela.
E ela não resistiu. A bolha também não. E eles ficaram sem bolha, mas entrelaçados um no outro, como sempre tinham desejado.