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Escrever e escrever, pensar, refletir... afinal não é para isso que existem os blogs? Por aqui vão passar ideias, palavras, pensamentos... tudo o que nos der na real gana... ou não seremos "Levada da Breca".
texto de Rúben Mateus• 2ºJornalista @ Bauer Media Audio Portugal

Quando quem vive a profissão não tem consciência de como vive a profissão fica difícil quem está no exterior entender o armagedão quebo jornalismo vive. A Comissão da Carteira Profissional de Jornalista deu um sinal preocupante ao subir de forma substancial o preço da renovação da Carteira Profissional. Sinal de que dentro da área pouco importa os relatos de uma precariedade atroz que faz com que os jornalistas que se mantém deste lado vivam com ordenados ridiculamente baixos. A renovação da Carteira Profissional vai passar a custar cerca de 80 euros. O preço só por si já é elevado e mais alto fica quando se coloca em cima da mesa aqueles que são os salários mais praticados na classe. Ao invés de se preocupar com aumentos, a Comissão deveria centrar a sua missão na luta por melhores condições de trabalho para que o jornalismo pode responder à sua missão fundamental de promoções do pluralismo e da democracia. Até o Presidente da República, por muitos defeitos que tenha, tem sido uma voz para que o jornalismo não morra na armadilha dos salários que paga. A Comissão tornou-se numa entidade que de dois em dois anos recebe milhares de euros para emitir cartões que atestam a nossa profissão. Nos dois anos seguintes, até nova renovação, nunca mais ouvimos falar dela. Como pode um dos órgãos que regula a classe estar alheada da realidade e não dispender todas as forças que permita uma vida mais livre para os jornalistas e uma profissão que seja realmente atrativa. O jornalismo está em crise não só pelo regime salarial que pratica, pela necessidade do imediatismo sem critério, mas também porque as entidades responsáveis parecem apenas preocupadas com o seu umbigo. O aumento do preço da renovação da Carteira é mais uma chapada, daquelas bem fortes, que nos fazem questionar o que na verdade andamos aqui a fazer e o porquê de ainda gostarmos disto. É preciso realmente termos uma paixão cega pelo jornalismo para continuarmos a acreditar em algo que leva porrada, e desculpem-me o tempo, de todos os lados. Se dentro do meio assim é, como é que podemos pedir às pessoas que nos respeitem e entendam as dificuldades que vivemos? Fica muito, mas muito difícil explicar assim.