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29
Ago20

O que é isso da idade??

por cristina mota saraiva

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O que e isso da idade, quando o importante é aquilo que tu és, aquilo que tu fazes... Ou não fazes… aquilo que dizes ou não dizes... aquilo que tu és, ou não és...

... Por isso te quero, ou não quero. A intensidade com que te desejo, ou não desejo! Sim, desejo... Mas e a idade? ... Será que faz a diferença. Sim faz... Na tua cabeça... No Cartão de cidadão..

 Mas também e sobretudo no físico, na aparência???

 E o que é isso da aparência? Um corpo, uma cara... A idade, os anos que tens e já viveste... Ou tens e não viveste.

Por isso chegou a altura. De víveres para além da idade... Até onde o físico te permitir. E esquece o resto! Um dia destes.. vais olhar para a idade e verificares que já viveste mais do que aquilo que vais viver,!...

...e afinal ainda não mergulhaste naquelas águas que tanto querias, ainda não foste aquela terra que sempre sonhaste e ainda não beijaste aqueles lábios que tanto queres...

Pois, de repente olhas para o cartão de cidadão e concluís que mereces viver  mais e melhor... E, entao vais, beijar quem querias, mergulhar naqueles olhos, sentir aquele corpo, pisar aqueles chão e beijar aquela boca. A idade? Que importa... Se estás a viver. 

E então passeias pelo seu corpo invades a sua boca e mergulhas no teu desejo... E não há espaço para arrependimentos, porque estás a viver. E estás a gostar ...e aqueles olhos afirmam te que valeu a pena e que isso da idade está na tua cabeça e nos teus preconceitos..

. E percorres outra vez aquele corpo, invades aquela boca e mergulhas naqueles olhos! E vives.... Porque amanhã pode ser tarde demais... E lembras o que deixaste para trás por causa daquilo que chamam idade que afinal não e mais do que aquilo que fizeste ou não, viveste, ou não, sentiste. Sim sentiste. E lembras o que deixaste de sentir, de caminhar, de mergulhar... E aí não esperas mais e invades o territorio passeias pelo caminho e mergulhas naquelas águas.

28
Ago20

Leitura ao final da tarde!

por cristina mota saraiva

Ali, sentada no jardim, lembrou a forma como o conheceu. Uma saída até ao parque, final da tarde. Estava ela sentada num banco e lia. Era uma rotina. Naquele tempo em que pouco havia para fazer… sim, estava de férias, finalmente! E agora que estava de férias sem nada para fazer, pensou o quão importante era, de facto, fazer alguma coisa. Ter uma atividade. Estar ocupada.

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O ócio é o pior dos inimigos e naqueles estranhos pensamentos julgou ouvir alguém perguntar se podia sentar-se. Respondeu autómata: Claro que sim, não há problema. Quase nem olhou apenas viu um vulto e um sorriso, porque o sol estava forte e não lhe permitiu vislumbrar o rosto. Mas, gostou da voz. E logo depois, voltou aos pensamentos: que estupidez o que estou eu a pensar. Então não é agradável estar aqui, colocar a leitura em dia, apanhar sol e até, porque não, travar conhecimento com outras pessoas.

E foi por isso que levantou os olhos e saudou o estranho. Ele voltou a sorrir e ela ficou presa naquele sorriso. Agradável.

Ele apresentou-se: Sergio! Ela respondeu: Sandra, prazer!... e voltou ao livro.

- Então a colocar a leitura em dia?... ela percebeu que estava a ser simpático e queria iniciar uma conversa.

- Sim, já há algum tempo que não fazia este programa – continuou.

- Eu então, sempre que o sol aparece, venho até aqui!  Traz-me paz de espírito! Dá para relaxar, respirar ar puro e esquecer.

Ela estranhou a conversa, mas percebeu que ele queria falar e abriu caminho a isso.

- Esquecer??? – questionou.

- Sabe problemas que ás vezes ajudamos a criar!... Deixo-me levar pelo coração e depois… bem depois, percebe, depois vem o sofrimento.

Ela acenava afirmativamente..

- Se quiser desabafar…

- Sabe, ela era a mulher da minha vida. Disse-lhe várias vezes e ela sempre a fugir, quase a desprezar. E eu a insistir e a persistir. Até que ela cedeu, aceitou e disse-me que sim. Rejubilei, pode imaginar. Foi num final de tarde, numa esplanada que dava para a piscina municipal. O sol baixava lá ao fundo e para lá do muro ainda se sentia o burburinho dos resistentes na água.

Enlacámo-nos e demos o beijo preso durante anos.  Ela foi a primeira a descolar os lábios, mas eu, de tão eufórico que estava nem percebi. E também que haveria para perceber?... ou se calhar havia!

Permanecemos colados naquela esplanada, ao final da tarde, com o sol a descer.

Sandra pensou, o homem está tão magoado, que nem se lembrava que partilhava o seu sofrimento com uma desconhecida.

Não disse nada e continuou a ouvi-lo. Achava que devia faze-lo. Pôs-se no lugar dele e pensou que se fosse ao contrario gostava de ter alguém para a ouvir.

Ele continuou. Mas, foi uma felicidade efémera. Jantámos juntos, ali perto da piscina. Voltámos ao Bar para tomar café e continuamos a passear por ali.

Estava feliz! Muito! – afirmou.

Mal sabia eu o que iria passar-se no dia seguinte.

Acordei, bem disposto e liguei de imediato. Não atendeu. Também não dei importância. Pensei ser cedo. Comecei o meu dia, embrenhei-me no trabalho, muito feliz. Já há muito que não me sentia assim. Tudo estava no bom caminho.

Sérgio continuava a relatar os acontecimentos e eu continuava a ouvi-lo.

Voltei a ligar, uma, duas, três vezes… nada. Quando saí, ao final da tarde, passei por casa dela. Veio uma senhora que me disse: a Sandra deixou a casa. Arranjou trabalho no norte do país e foi.

Foi como uma faca espetada no coração. Nunca mais a vi.

Eu fiquei sem saber  que dizer e apenas me saiu: coragem, tudo vai passar. Custa, mas vai passar.

Passados dias cruzei-me com Sérgio. Aliás, foi ele que me viu e me chamou:

-Sandra! Olhei e dirigi-me a ele. Aparentava um ar cansado, mas parecia bem disposto.

- Olá – disse-lhe, acrescentando – tomamos um café?

- Vamos a isso, pagou eu!

Estava bem disposto, fiquei sossegada. Pediu-me desculpa por ter sido tão má companhia naquele dia.

- Mas já passou!... melhor está a passar! Tem que passar!

Afinal pensava que era a mulher da minha vida! Anos de paixão e depois… isto?

- Há coisas que não merecem os nossos pensamentos muito menos o nosso sofrimento.

-Sim, claro que dói, mas vamos seguir. Nesse sentido… que tal almoçarmos?

-Não sabia o que dizer. Não ia, agora agarrar-se a mim, para esquecer a outra.

-Não! Mas ele insistiu, insistiu e eu acedi. E, ainda bem!

Passaram dez anos! Vivemos numa casa terrea, com um bonito jardim em frente. E somos felizes.

27
Ago20

Balanço positivo, a luta continua

por cristina mota saraiva

Ao fim de tantos anos, de tantas conquistas, de tantos sonhos realizados, mas, também de algumas derrotas, faço um balanço positivo. Tem sido bom! Mas, para ser bom, também houve o menos bom. Só assim tenho termo de comparação. O curioso e positivo é que as maiores recordações são as boas. As más vão-se desvanecendo!

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Mas, também tenho consciência que só essas menos boas, me trouxeram até aqui. Me deram força. Me impulsionaram!

A saúde, ou a busca dela, foi a maior batalha. E não fosse eu uma pessoa informada e batalhadora e tudo teria sido comprometido.  A parte física teria ficado mesmo atrofiada. As queixas apresentadas foram fundamentais para um final positivo. Mas é triste ver que é necessário chegar a tal ponto. E é aí que me questiono: quem não tem a capacidade de contornar as adversidades, como fica?

Acometida de um AVC, fiquei numa cama muito tempo inconsciente. Sem noção da realidade. Enquanto a família procurava uma solução, estive internada no Centro de Reabilitação do Orvalho onde cheguei já em cadeira de rodas. Passado algum tempo, surge a hipótese de ingressar No Centro de Reabilitação Rovisco Pais, na Tocha aquilo que tanto se desejava.

As coisas começavam a seguir no bom caminho e apesar de hoje reconhecer algumas lacunas nesta instituição, foi fundamental na minha recuperação.

Passado ano e meio é-me dada alta. Consciente de que tinha ainda muito a recuperar, regresso ao Orvalho, na mesma em cadeira de rodas. Passa o tempo e as melhoras vão acontecendo, mas lentamente. Volto para Castelo Branco e é-me destinada a Santa Casa da Misericórdia para continuar a fisioterapia, mas teria que aguardar vaga. E como o tempo urgia vou a expensas próprias para a Escola Superior de Saúde de Castelo Branco e aqui, como depois na Santa Casa da Misericórdia aconteceu a maior recuperação. Já dava uns passos, ia andando, mas a cadeira de rodas ainda era necessária.

Os amigos esses foram-se afastando e restaram poucos. Ficaram os bons! Não queria visitas diárias, não! Mas um telefonema de vez enquando. Custava muito?

E eis que chego à Associação de Apoio à Criança do distrito de Castelo Branco, onde consolidei todo o trabalho realizado até aqui e definitivamente deixo a cadeira de rodas e logo depois o tripé.

Agora é insistir e não baixar os braços. Esta paragem do mundo, não me impediu de continuar a minha recuperação, embora mais condicionada e restrita ao meu espaço exterior, o que foi uma enorme vantagem.

Continuo sempre em evolução. Parar não é verbo! Prevalecer e continuar, sim! O empenho a luta!...

Cá estou para seguir... e Sigo!!!

22
Ago20

Os pseudo democratas cobardes

por cristina mota saraiva

Não caiu muito bem nalgumas mentes o que escrevi sobre a Festa do Avante  aqui https://levadadabreca50.blogs.sapo.pt/avante-podem-morrer-mas-morrem-26592. Já respondi ao senhor Zé Cabra que pretende ser tão democrata no que diz e critica, que nem sequer tem “tomates” para se assumir e se apresentar! De cobardes está este mundo cheio e a internet é um grande veículo para eles aparecerem. Continuarei a criticar, porque, como lhe digo na resposta este país me permite isso e felizmente, graças ao 25de Abril, que também permitiu o aparecer em Portugal do partido político que a organiza .

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Lamento que estes pseudo democratas se escondam atras de pseudónimos, que só por si já dizem tudo. Sim, fiquei incomodada com a resposta, fiquei! Detesto gente que se julga mais do que os outros, mas sobretudo, detesto gente cobarde!

Continuarei a criticar, como o fiz com o 1º de Maio e outras organizações, idênticas, nos tempos que vivemos.  É que depois, sobra para todos. Friso mais uma vez que detesto gente cobarde, sobretudo aqueles que se julgam mais democratas que os outros e se escondem atas de uma capa de superioridade e sobranceria! Assumam-se, tenham “tomates” para isso e deixem de ser “Zés Cabras”. Também já escrevi sobre os cobardes intelectuais de café!... agora também sob a capa de comunistas ofendidos!

A Festa do Avante vai mesmo acontecer. Pensei que houvesse bom senso neste país. E isto não tem nada a ver com questões politico partidárias. Tem mesmo a ver com a falta de “tomates” dos governantes deste país! E sim, utilizei o termo propositadamente. Se é para sermos ordinários, sejamos na plenitude!!

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E dizem que não é por questões financeiras!!! Então é porquê?

Para fazer ‘finca pé’?

Para se dizerem mais democratas que os outros. Quanto a mim, continuo com a saga : PODEM MORRER, MAS MORREM DEMOCRATAS!. E, se é assim, então proponho a criação de um gueto!!

E não, não tenho medo das palavras! Estamos em democracia! Vão todos à festa. E depois ficam lá de quarentema, talvez de um ano, até à próxima edição!

Mas isto é para quê e porquê?

Para se dizerem mais democratas que os outros!!!

Para mim, isto não é mais do que sobranceria politica do PCP!!

É inacreditável que se mantenha esta ideia. Como é inacreditável a posição dos políticos deste país, assim como das entidades de saúde competentes, embora estas não tenham poder de impedir!! Ou têm??? … basta aconselharem a não realização, por questões de saúde  pública.Repito: Falta de ‘tomates’ para impedirem a realização da FESTA.

Tomem juízo!!! É que, depois, o problema sobra para todos!! 

Como sou uma otimista nata, ainda acredito que haja um retrocesso!

E a não ser assim, o que têm a dizer a todos os artistas! O que têm a dizer a todas as aldeias, vilas e cidades, que cancelaram todos os eventos, toda as feiras, e uma serie de outros acontecimentos… Aí sim! Há problemas financeiros!! Mas, isso colmata-se com mais uns dinheiritos, disponibilizados!! Será isso!!!

Podem morrer, mas morem democratas!!! Tenham juízo… e deixem de ser egoístas e olhar só par o voso umbigo!!!

Ah!! Ainda não me esqueci de Fátima!!! Por favor : TENHAM JUÍZO!!!

09
Ago20

As fotos na net!

por cristina mota saraiva

Finalmente  tinha aquilo que sempre quisera! Foram anos de tentativas de sedução, de charme, de jogos. E ele nada, apenas uma boa amizade!  Era só isso que ele queria!

Ela ia-se contentando. E foi segurando aquele amor. Ele sempre simpático e atencioso, alimentava a ilusão.

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Até que um dia… declarou-se. Ela entusiasmada bebeu todas as palavras que ele lhe dizia.

Continuava sedutor!

Ela cada vez mais apaixonada. E assim iniciaram a relação. Ela lá, ele cá.

Os contatos eram feitos via Skype. E mesmo por esta via, eram contatos cada vez mais ousados Até trocaram fotografias, também elas cada vez mais intimas.

Ela confiava plenamente nele. Mas, ainda assim, escondia sempre o rosto, nas fotos mais ousadas. Ele sempre à vontade não escondia nada.

Ela foi sendo envolvida e gostava da situação. Era excitante.

Ele um dia, pediu-lhe uma foto de corpo inteiro, nua, sem esconder a cara.

Esta relação na rede social durava já há algum tempo, ele nunca tinha feito esse pedido, mas ela recusou. Ele esqueceu… ou fez esquecer.

E as trocas continuaram e ela sempre cuidadosa.

Um dia ele voltou a pedir e disse que gostava de a ver inteirinha, foi o termo utilizado, sem máscara.

A confiança já era muita, andavam nisto há meses. Combinaram logo de inicio, agirem como não se conhecessem. Queriam manter o mistério da relação. Mas, ele voltou a insistir e ela omeçou a baixa a guarda!E com mais uma insistência, ela acedeu, confiou.

E mostrou-se inteirinha.

Não foi preciso mais.

No dia seguinte, ela não queria acreditar e nem sequer saiu à rua. A sua foto estava espalhada por toda a internet! Tentou falar com ele, mas ele já não a atendeu.

Recorreu a um amigo e pediu-lhe ajuda. Não ia ser fácil, porque a foto já corria em todo o lado. Mas, ainda assim conseguiu apagar algumas, pelo menos nos sítios mais óbvios.

Um dia, viu-o na esplanada. O primeiro impulso foi ir ter com ele. Num segundo pensou e escondeu-se, observando-o.

Estava acompanhado por duas mulheres, em amena cavaqueira. Ria e falava alto. Típico.

E chega mais uma amiga, só que esta dá-lhe um beijo na boca.

Não refletiu mais. Levantou-se, dirigiu-se à mesa e disse um olá exagerado. Ele pareceu não a conhecer. Dirigindo-se diretamente á namorada disse-lhe: ele tem fotos suas ousadas?

É que se ele tem essas fotos, muito cuidado, ou qualquer dia arrisca-se a te-las divulgadas pela Internet. Aconteceu-me a mim. Aí ele ficou desconfortável.

E a namorada perguntou: isto é verdade?

Ele tentou dar uma explicação, mas a voz não saia. Fugiu! Entretanto, já toda a localidade tinha tomado conhecimento dos factos.

As pessoas acabaram por esquecê-la, mas tarde deixaram de falar na atitude dele.

Ele fugiu e o negócio que possuía acabou.

06
Ago20

Quando a vida te coloca à prova

por cristina mota saraiva

Não valia a pena insistir! Ela insistiu durante muito tempo. Procurou salvar algo, que estava perdido, logo à partida! E ele continuava. Umas vezes amoroso, outras agressivo verbalmente, muitas vezes indiferente. Mas ela queria e foi ficando ali onde, percebeu depois, já não estava.

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Ainda hoje não percebe porque é que foi ficando, mas, ficou! Quis ficar. E ele não mudava! Não queria mudar! Ela deu-lhe muitas pistas. Ele fingiu não entender. Manteve a sua postura agressiva. Nunca lhe bateu, mas ela quis muitas vezes que o fizesse. Só para ter um motivo para sair. Nunca aconteceu e ela ficou! E foi ficando. Mesmo infeliz! Mas, chegou o dia em que ela decidiu desistir. E desistiu, finalmente! E, hoje vendo bem as coisas foi a melhor coisa que fez! Hoje, vendo as coisas foi a melhor coisa que já devia ter feito há muito mais tempo! Deixou-se arrastar tempo demais!

Traições era o passatempo dele. Trabalhar é que não era muito com ele.

De vez em quando lá conseguia um dinheirinho extra e isso era argumento para não trabalhar. Quando ela saia, de manhã, para o emprego, ele lá ficava a dormir. E, depois, lá vinha mais um dinheirito e ele quase gozava com ela, porque se fartava de trabalhar, era empenhada, responsável.

E ele lá conseguia mais um trabalhito e mais uns dinheiritos. Depois disso, voltava ao descanso. Ela, ingénua e acomodada, ia acreditando e ia aceitando. De vez enquanto, o dinheiro até aparecia! E assim iam vivendo. Ela tinha a sua conta ordenado. Levantava o dinheiro, para que ele pagasse as prestações que possuíam. E ela continuava a creditar! Até que um dia já era tarde demais.

O chefe chegou, calmamente, junto dela, e sem mais, deixou-lhe um papel em cima do teclado. Assim, de repente, ela nem percebeu o que se passava. Mas, olhou para a folha de papel e, finalmente percebeu!

Era uma carta do Tribunal a informar que o ordenado dela ia ser penhorado! Ela não queria acreditar. Ele foi acumulando dividas e, sem que ela percebesse estava no fundo do poço. E tinha que assumir. Ela sozinha, que até tinha insistido num casamento, em comunhão geral. Pagou para que fosse assim! Estava cega. Percebeu tarde!

Assumiu, sozinha! Pois se era a única que tinha rendimentos e que existia para o sistema. A ele ninguém lhe exigia nada. Ele não era ninguém! Não fazia descontos, não era um ativo na sociedade. Era um NINGUÉM, mas um ninguém suficiente para a prejudicar a ela. E prejudicou! E ela ficou sem nada! NADA!!  Melhor, com as dívidas e o ordenado penhorado e sem o carro, a casa e a quinta que tinham conseguido!

Agora, sim, tinha um motivo demasiado forte! Perdeu tudo! Ficou sem nada...NADA!  Perdeu tudo!

Aliás, ele fez com que ela perdesse tudo. E saiu de onde nunca devia ter permanecido.  Mas, agora e finalmente, saiu! Ele até lhe gabou a coragem! Parecia que queria continuar a amachuca-la e gozar com a situação!

Ela estava prestes a receber um dinheiro extra, de um investimento que ela e só ela tinha feito e juntara ao longo dos anos. Ele aconselhou-a a utilizar esse investimento para cobrir as dividas que ele mesmo tinha feito e assim ficava livre. Ela não queria acreditar. Em vez de arranjar uma solução para o problema que criara, queria que ela continuasse a suportar aquilo para o qual ele mesmo a tinha conduzido, destruindo a vida dela.

Saiu dali disposta a reerguer-se!

 

Ia reerguer-se das cinzas, como a Fenix! Ia renascer, tinha a certeza! Mas, a vida ia continuar a pô-la à prova.

 E, depois de tudo e com tudo, a saúde ressentiu-se! Esse sim, foi o maior problema! Mas também aqui lutou, viu-se numa cadeira de rodas, mas não desistiu.

Mesmo quando a médica lhe disse que não ia mais sair daquela cadeira, ela não acreditou! E foi à luta, de novo!

Afinal ela estava ali!!! E se a vida a tinha poupado, então ela só tinha que continuar a lutar! E lutou! E trabalhou e insistiu na sua recuperação.

E, apesar de continuar a insistir nessa recuperação, assume orgulhosa que, mais uma vez ESTÁ A CONSEGUIR!

Ainda tem a sombra do problema nas Finanças, porque o sistema não conhece rostos, nem vidas! Mas ela superou e vai superando! E está a ganhar! Devagar, ma vai lá! E está a ganhar! Aliás, já ganhou!!! Está viva e apesar de contiuar limitada ao nível das finanças, porque o sistema diz que ela deixou um dia de cumprir os seus compromissos junto da Banca. Tem que viver com isso, ainda uns anos. Mas vive e está viva! E está a recuperar! E vai recuperar! Mesmo apesar de ele, um dia, ter tentado que ela não o conseguisse. Mas, conseguiu! Está a conseguir! Vai conseguir! Já conseguiu! E que mais não fosse já saiu da cadeira de rodas, e até já deixou o tripé! E até já se desloca sozinha. Ainda com dificulddes, mas sozinha! E vai continuar! e continua!

03
Ago20

Quem tudo quer…

por cristina mota saraiva

Ele era casado! Ela sabia. Logo, não era para ela. E afastou-se. Aliás, quis afastar-se. Mas ele não deixou! E ela resistiu enquanto pode. Só que já não podia mais. Aliás, já não queria mais.

Pois se, afinal, era ele que tinha o compromisso e era ele que insistia, porque haveria ela de continuar a resistir.

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E assim continuavam ambos, ele a insistir, ela a não resistir.

E num instante deixou-se apanhar! Gostou. Foi bom! Ele continuou a insistir e ela continuou a não querer resistir. E assim foram andando ao longo de meses. Uma relação que inicialmente era quase platónica. Muitas conversas, diversos desabafos, algumas confidências, certos conselhos… e, depois, algo mais físico. Sim… amaram-se… diversas vezes em diversos sítios. Ambos gostavam.

Tudo parecia estar bem!

Só que, um dia tudo descambou e chegou ao conhecimento da última pessoa que deveria saber. A esposa traída. E ele estremeceu, teve medo e recuou. Pediu desculpa à esposa e foi desculpado

A outra, é esse o nome dado, nestas situações, foi apanhada de surpresa.

Por duas vezes: por terem sido descobertos e por ele a ter deixado. Sim, era a outra. A dos desabafos, dos conselhos, da ajuda… da descarga, que estava sempre lá, para tudo, até para ser deixada! E foi deixada sem uma conversa, sequer.

Mas, continuou… levantou-se, seguiu…

Nunca mais o viu! Até ao dia em que a campainha toca! Ela vai, satisfeita, entusiasmada! Abre a porta com um sorriso que, de imediato se desvanece.

 Ao fim de alguns meses… cinco, seis… já não sabia.

Ele lá estava e, do nada, colocou-lhe um ramo de fores nos braços!

 Entrou sem ser convidado.

Ela continuava em estátua.  O ramo de flores cai-lhe dos braços, já ele estava instalado no sofá dela. E foi aí que ela reagiu.

Sem dizer uma palavra levantou o braço. Indicador esticado, indicando a porta!

Ele levantou-se e tentou abraçá-la. Ela conseguiu fugir. Ele ficou espantado, e ela continuava indicando o caminho da porta. Ainda não se tinha ouvido uma palavra, mas ele percebeu tudo!

E lembrou-se do velho ditado: “Quem tudo quer, tudo perde!”

Saiu dali e, ainda no pátio do apartamento, cruzou-se com um sujeito que colocou a chave na porta dela, abriu e viu ela agarrar-se ao pescoço dele. Ela olhou, franziu a testa e encolheu os ombros, sorrindo para ele.

Saiu dali com as flores e foi entregá-las á outra que até então tinha sido a primeira, porque “a outra” tinha prosseguido com a sua vida. Enquanto ele vivera uma relação conturbada, de discussões… de tudo menos de partilha, amor… sequer felicidade!

Não queria admitir, mas sentiu-se traído e percebeu o que lhe tinha feito sentir, quando a deixou. Agora tinha que pensar a sua vida e sair dali, daquela relação onde apostou as fichas todas e onde acabou por perder, vendo a outra sair em aplausos!

01
Ago20

Vida perdida!

por cristina mota saraiva

A relação já tinha anos. E cada vez estavam mais próximos e unidos. Pelo menos assim parecia. Até pensavam fazer uma cerimónia para oficializar a união.

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Mais por vontade dela. Para cumprir o sonho de menina.

Mas, a vida prega muitas partidas. Era este o pensamento que tinha, enquanto fingia observar o mar, com alguém a seu lado.

Carla, lembrou o momento do choque. Realmente nunca se conhece quem temos ao lado, mesmo que tenham passado anos. Cinco, concretamente, que viviam juntos a somar a mais quatro de namoro.

Há dois dias, Paulo saíra da cidade para participar num encontro de trabalho, como dissera, “aborrecido e desnecessário, mas que tinha que ser”. O patrão assim o determinara e um assunto que podia resolver-se por Skype, iria decorrer no auditório da cidade a meio da montanha. Estes eram os argumentos naturais que apresentava a Carla. Eram penas 100 quilómetros, mas o “patrão” queria falar com as principais chefias ‘cara’ a ‘cara’.

Carla nem tomava bem atenção nas palavras dele. Tinha que ir, tinha que ir. Ela passaria o fim-de-semana, entre a piscina e o spa, ou combinava qualquer coisa com os amigos.

De resto, já não estranhava as constantes viagens e ausências de Paulo.

Até já tinham falado nisso. O ordenado era muito bom, mas o tempo que passavam afastados era demasiado e só de cinco em cinco semanas, conseguiam um fim-de-semana juntos. Aproveitavam para sair, mas Carla achava que ele devia repensar a situação.

No dia seguinte, sábado, Paulo levantou-se sem fazer barulho, tomou banho no outro quarto, para que ela continuasse sossegada, vestiu-se, agarrou no saco e deu-lhe um beijo de despedida, e ela ouviu “descansa meu amor que eu vou para o sacrifício!!”

 Carla sorriu, mas nem disse nada, ainda sonolenta.

Ouviu bater a porta, virou-se para o outro lado e adormeceu, de novo.

Não teria, ainda passado uma hora quando o telefone tocou.

Acordou assustada e olhou o visor, número privado, estremeceu. Atendeu a medo, mas ansiosa.

Afinal era só Lídia, a sua melhor amiga. “Deve estar a ligar para se desculpar”, pensou. E recordou a última vez que tinha estado com ela. As coisas não correram bem. Porque Lídia, sem filtros disse-lhe que Paulo tinha um caso. E tencionava pô-la a par de pormenores, mas ela interrompeu-a. Para já por aí! Porque é que Paulo teria um caso?

- Isso tens que ser tu a questioná-lo!, afirmou Lidia, acrescentando que: é por ser tua amiga que te estou a dizer isto. Carla não quis ouvir mais nada, mesmo apesar da insistência da amiga.

Saiu mais depressa do café, extremamente enervada. Logo a sua melhor amiga a querer interferir na sua relação.

Ligou, de imediato para Paulo, confrontando-o. Ele ficou quase histérico.

- Eh pah! …mas essa gaja não tem mais que fazer do que azucrinar-te a cabeça? Acho que tenho que ser eu a falar com ela!, continuou.

- Não, não faças isso, deixa que eu resolvo!, frisou Carla.

Desde o inicio da sua relação, que Lídia se tinha mostrado contra, apresentando-lhe um Paulo que, para ela não existia.

Foram diversos os episódios, de Lídia a procurar mostrar-lhe que Paulo não era o que ela pensava.

Carla, nunca se deixou influenciar pela amiga, e teve que arranjar inúmeros estratagemas para contornar todas as situações em que ela insistia. Juntar Lidia e Paulo era impossível, ele recusava sempre, ameaçando confrontá-la com a situação.

Esperou que Lídia dissesse o motivo do telefonema e preparava-se para a mandar calar, mas surpreendeu-se. Apenas a queria convidar para passar o fim-de-semana com ela. Não admitia uma recusa e seria ela a levar o carro.

Não teve como recusar, afinal iria estar sozinha e seria uma boa altura para esclarecer toda a situação com a amiga.

Ficou animada. Levantou-se e começou a arranjar-se; Lídia iria busca-la dentro de duas horas.

Caprichou na roupa e na maquilhagem. Não sabia onde ia, mas queria estar bem, fez um pequeno saco com uma muda de roupa e o biquíni e meteu a toalha de praia. Lembrou a casa da tia de Lidia, numa aldeia próxima, com piscina e pensou que a amiga a levaria para aí, como já fizera de outras vezes.

Quando Paulo telefonasse contar-lhe-ia que teria um fim-de-semana diferente.

 Não demorou muito. Ele ligou. Disse-lhe que já chegara e que ia já ‘enfiar-se’ numa reunião. Apoiou a saída dela e disse-lhe para se divertir, que ia estar melhor que ele.

Estava a desligar o telefone quando ouviu a buzina do carro de Lidia. Agarrou no saco e na carteira e saiu. Ainda voltou atras para levar um chapéu.

Quando perguntou onde iam, a amiga não respondeu, apenas disse, “confia em mim”.

Com a conversa  animada,  Carla nem se apercebeu da estrada e quando deu por ela, estavam a entrar na cidade  da serra.

A amiga conduziu o carro para aquilo que lhe pareceu um turismo rural.

Entraram por um enorme portão e depararam-se com uma casa senhorial, de um só piso mais elevado. A escadaria era toda em pedra e o local era lindíssimo. Carla gostou e adivinhava um fim-de-semana em grande.

Se por fora o edifício era imponente, lá dentro parecia um cenário de filme do seculo XVIII. Espetacular! Carla estava satisfeita e pensava que a amiga cada vez a surpreendia mais.

Foam deixar o sacos ao quarto, apenas um para as duas chegava, uma vez que eram espaçosos. Combinaram, ainda, dar um mergulho numa piscina de pedra que estava no exterior enquadrada num belíssimo e bem cuidado jardim.

Decidiram jantar na varanda doquarto, com essa piscina de pedra mesmo ali ao lado do pequeno espaço exterior. Carla e Lídia de tudo faziam uma festa e tudo servia para brincar. Com um por do sol lindíssimo, o jantar decorreu calmamente, servido por um dos funcionários, que por sinal agradou às amigas que não pouparam brincadeiras, deixando o rapaz algo envergonhado.

O ambiente estava tão agradável que decidiram, também tomar ali café. Já não foram ao salão, mas prometeram que no dia seguinte iriam ali tomar o pequeno almoço. Aliás, Lídia já tinha frisado que tinham que conhecer o edifício e deambular pelo jardim. Com esta conversa Lídia parecia querer dizer alguma coisa, mas acabou por lhe faltar coragem.

Carla pegou no telefone para ligar a Paulo e contar-lhe onde se encontrava. Lídia não deixou, argumentando que ele poderia estar nalguma situação que não pudesse atender. Carla estranhou a preocupação da amiga, mas acabou por lhe dar razão e disse que ligaria ao pequeno almoço.

A noite correu serena e quando as amigas acordaram o sol entrava pelas janelas.

Organizaram-se para dividir a casa de banho e trataram de se arranjar, Lidia, a mais despachada entrou primeiro, enquanto Carla tratava de arrumar a mala e deixar tudo organizado.

Não tardou muito que Lidia saísse da casa de banho enrolada na toalha.

Carla entrou e tratou, igualmente, de se despachar. Quando saiu Lidia estava praticamente pronta. Disse-lhe que a esperaria no salão. Lídia sabia bem o motivo de toda aquela “armadilha”.  Com a ajuda de um amigo, há algum tempo que tentava desmascarar Paulo. E para que Carla acreditasse tinha que ser com um flagrante.

Paulo estava tão seguro da sua dupla vida, que não pensava que alguém se preparasse para desvendar tudo.

Carla nunca o acompanhava nas suas saídas de trabalho, muitas só mesmo como desculpa para se afastar.

Tinha uma vida segura com Carla, gostava de aparecer ao lado dela, em público, seguia-a em todos os eventos em que ela marcava presença, a maioria em trabalho, enquanto relações publicas de uma empresa estrangeira. Mas, os fins-de-semana procurava passa-los, com a sua amante, Suzana. Uma mulher vistosa, loira e que conhecera num dos seminários que frequentara, enquanto palestrante, onde ela dava apoio logístico. Embora em empresas diferentes, organizavam-se para marcarem presença nas diversas iniciativas a que poderiam assistir. Quando assim não era, arranjavam maneira que fosse, ou tratavam de inventar situações

Não davam muito nas vistas, mas apresentavam-se sempre muito unidos e companheiros. Apesar de terem sempre dois quartos, quando eram as empresas que os contratavam a marcar,  escolhiam um para ficar juntos. As palestras para os quais eram contratados, davam sempre espaço para encontros fortuitos, nem que fosse durante as refeições. Quando assim não era, esperavam pela noite.

Paulo nunca sentira remorsos da via dupla que levava. Carla era o seu porto seguro, a sua casa, a sua mulher. Suzana era a aventura, o risco, o desafio, a cumplicidade. Iria ser sempre assim. Seria difícil ser apanhado, porque tudo era feito com normalidade e ninguém reparava na grande intimidade de ambos. Pensava Paulo. Por isso, nunca gostara de Lídia, ela era das poucas que parecia perceber o que se passava.

Tentava influenciar Carla, mas esta estava tão segura da sua relação que, felizmente para ele, nunca lhe dera ouvidos.

Parecia que esses tempos iam acabar e Paulo nem sonhava, quando entrou com Suzana naquele espaço.

Na manhã seguinte, saiu depois dela, era sempre mais despachada e era ela que iria escolher a mesa para os dois e preparava tudo par tomarem o pequeno-almoço, sempre com tudo o que ele gostava.

Entrou no salão olhando ao redor, embora discretamente. Passou-lhe despercebida a mesa onde se encontrava Lidia e a sua mulher, afinal o salão era grande e áqula hora estava cheio e sentia-se um burburinho animado com toda a gente em conversa.  Dirigiu-se à mesa de Suzana que já trouxera tudo o que ele gostava ao pequeno almoço. Ele chegou, deu-lhe um beijo na boca em forma de agradecimento e sentou-se à sua frente.

Lídia já descera com Carla e já se encontravam sentadas numa mesa ao fundo do salão. Lídia tinha pensado em tudo, com o seu cúmplice, que ainda nem vira. Devia, também estar a aparecer.

Viu Suzana entrar e sentar-se numa mesa mais discreta. Mas, estava tudo pensado. O seu cúmplice trataria de chamar a atenção para a mesa dos amantes.

 Lidia procurava baixar a cabeça, para não ser descoberta por Paulo. Mas, o salão era enorme. Temia que algum dos amantes visse Carla, mas era um risco que tinham que correr.

Parecia estar tudo bem. Foi então que Lidia viu Alberto entrar. Estava tudo a correr com planeado. Alberto avançou pelo salão, passou pela mesa delas, sem dizer nada e alguns passos mais à frente, elevou a voz e disse

- Paulo, o que fazes aqui… há quanto tempo!!

Todos os olhos se fixaram nele, inclusive os das duas amigas.

 Foi quando Carla viu Paulo sentado na mesa com Suzana e ficou estarrecida. Não disse nada, mas percebeu tudo. Fez-se luz. Lidia queria mostrar-lhe o que ela nunca quisera acreditar.

Manteve-se impávida e serena, continuando a observar tudo. Alberto fazia questão de continuar a falar alto e Paulo, nem pensou o que estava a acontecer.

E foi quando Alberto disse:

-Ah, finalmente conheço a tua esposa.

Paulo não reagiu e continuou calmamente.

- Apresento-te a Suzana, a minha mulher.

Carla estava incrédula, com tal desfaçatez.

Não aguentou mais e sem que Lídia pudesse fazer alguma coisa já ela e dirigia para aquela mesa. Ninguém reparava e ela apresentava um ar calmo.

Chegou, cumprimentou toda a gente com um bom dia e um sorriso . Paulo deu um pulo.

-Carla??????!!!! – que fazes aqui???

Alberto adivinhou! Sabia o que estava ali a fazer e percebeu de imediato que tinha cumprido o seu papel.

Olhou para Carla, com um ar sereno e uma beleza discreta. Ela não fez escândalo. Cumprimentou-o com dois beijos na cara. Suzana não sabia o que fazer estava entalada entre a mesa e a parede e não podia sair.

Carla falou, calma:

- Olá, eu sou, a partir de agora, a ex-mulher de Paulo. Sorriu com dignidade  e ia regressar quando Paulo, finalmente falou:

- Carla, espera, não estás a perceber, estou aqui em trabalho, apresento-te a Suzana, secretária….

- Como????, Suzana não resistiu…

 -… Pois é, desci de posto, ou subi na hierarquia? Como é?

Paulo não sabia o que fazer ou dizer. Deixou-se cair na cadeira e tentou falar.

Ninguém lhe deu hipótese, ou atenção.

Alberto agarrou suavemente no braço de Carla e começou a tirá-la dali. Ela deixou-se levar, sem forças para reagir.

Alberto encaminhou-a para um pátio interior, fresco, com um lago com repuxos. Quando se sentiu longe dos os olhares, Carla desatou num choro abafado. Alberto procurava consola-la e envolveu-a com os braços.

Carla aninhou-se e sentiu-se protegida. Não conhecia bem Alberto, só de vista, mas nunca tinham sido apresentados mas  soube-lhe bem aquele conforto! Deixou-se ficar.

Entretanto Lídia, depois de muito procurar conseguiu dar com ela, envolta nos braços de Alberto. Sorriu com o quadro e Alberto levou o dedo aos lábios para que não fizesse barulho.

Aos poucos, Carla foi saindo do estado de choque. Quis sair daqueles braços, mas sentiu-se tão bem que se compôs melhor. Alberto afagou-lhe os ombros e deixou-a estar.

Ele sentiu um carinho enorme por Carla. Iria ajudá-la a sair daquela situação. Ninguém merecia ser traído, muito menos daquela forma e ao fim de tantos anos de relação.

Alberto e Carla acabaram por se apaixonar e, um dia, ao saírem de um bar cruzaram-se com Paulo, sozinho e já alcoolizado.

Tentou agarrar Carla à força, sem que Alberto conseguisse, no imediato protege-la. Não foi preciso. Num instante se ouviu uma sonora bofetada.

- Vamos embora, disse Carla. De repente o ar ficou irrespirável.

Carla sentiu que fechava um ciclo negro da sua vida. Alberto tinha ajudado e muito. Agora só sentia pena de Paulo, que estava completamente perdido e, inclusive, fora despromovido. Não se dedicava ao trabalho, fazia inúmeras asneiras e fez perder dois importantes clientes da empresa.


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