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20
Jul20

Persistência e a arte do amor!

por cristina mota saraiva

 

 

The art of love is largely the art of persistence - A arte do amor é amplamente a arte da persistência.

persistencia.jpg

… e persistência é o meu nome do meio. Se tu não desistires, eu não desisto e persisto em ti, até porque, como diz Aristoteles: “ o amor é formado de uma só alma, habitando em dois corpos. E eu quero que essa alma habite, mesmo em nós e entre nós!

E persisto! E insisto! E tu estás lá! E isso, acho, é bom sinal!  Se continuares por aí, eu estou sempre aqui!  Insisto, persisto!

Mas não! Pelos vistos tu não queres! E, parece, já desistes! Desistes daquilo que ainda não era, mas tinha tudo para ser.

Daí que não sei porque vieste ter comigo!

Estava tudo tão bem. Cada um na sua vida, vivendo este amor, quase platónico. E estava tão bem assim. Depois vieste, quiseste mais. Pediste mais! E eu não consegui resistir e deixei-me levar! E fui…

Avancei e… de repente estou sozinha! Não caminhaste ao meu lado. Foste ficando… ficando… e agora, lá atras, nem sei bem onde estás!

E eu também fiquei… sem ti!... sem ti e sem saber como! Mas, o pior é mesmo o sem saber porquê!

Isto de sair, de mansinho, sem dar uma explicação, nem que fosse só “porque sim”, tem um nome. E não é bonito.

Mas pronto, as pessoas revelam-se e quando menos esperas revelam-se da pior maneira!

Mas, a persistência continua e estará sempre, pode é mudar de direção e, acho, já vai a caminho. Um caminho bem diferente que havia abandonado! Podem chamar-me ingrata! Aceito! Deixei tudo… para seguir o sonho que vinha de longe e agora, não é mais que pesadelo!

E regresso ao meu caminho, de onde não deveria ter saído. Mas, ironia do destino, o caminho continua e ele ainda está… e está disposto a continuar o que interrompi, apesar da minha ingratidão!... e depois, olha, o universos respondeu na mesma moeda! … Estou de regresso e tu continuas lá, à minha espera! Obrigada por isso!

18
Jul20

Ele não era dela! Ou é?

por cristina mota saraiva

Conheceram-se num jantar! Ele liderava os trabalhos e ela dava apoio logístico. Nunca se tinham visto, mas a química aconteceu, de forma natural. Já estavam a meio da iniciativa, quando os olhos dela se cruzaram com a mão esquerda dele. O aro dourado no dedo, fez desvanecer o primeiro impacto. Nada a fazer era melhor ser mesmo assim, antes de tudo. Mas, o jantar decorreu e empatia permaneceu.

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Mas havia aquela barreira e ela sabia que não havia nada a fazer. Havia coisas para as quais nunca estaria preparada. Lamentava, mas não, nunca passaria daquela troca de olhares.

Os dias passaram, as semanas aconteceram e, de vez em quando lá se encontravam. Encontros fortuitos, sempre rodeados de gente. Havia sempre espaço para uma conversa de olhares. À volta, ninguém reparava. Ou sim! Alguém reparou. E foram surgindo insinuações que só os aproximavam mais.

Por vezes trocavam mensagens inocentes, para ele e para ela eram mais do que isso.

Ela não perdia oportunidade de falar ou tentar estar com ele. Numa viagem, com um pequeno desvio de rota, para ambos, lá combinaram mais um encontro.

E assim foram resistindo. As conversas iam acontecendo, de vez em quando… de quando em vez!

Percebia-se a cumplicidade! E um dia ele abriu o coração. E disse tudo, quase tudo, ou mais do que devia! E estava dito! E aquilo que ela tanto queria estava ali, mas não estava. Esteve e ela num impulso de uma hora infeliz quis que deixasse de estar. E disse-lhe!

E logo depois de lhe ter dito, arrependeu-se. Quis voltar atras, mas já não havia volta a dar!

Ela pensou que era o universo a colocar cada coisa no seu lugar. Ele não era para ela, porque havia outra ela que já era dele e de quem ele já era!

Mas a volta deu-se e tudo permanece! Não como ela queria, mas como pode ser! E será! Para além de tudo o resto!

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Há coisas que vão ficando para trás, mas que permanecem sempre. Nem que seja numa simples fotografia. Como esta!

Isto é o passado que foi bom… depois veio o passado que foi mau!  Muito mau! Poderia, agora utilizar diversas frases feitas para expressar o antes e o depois, que poderia ser colocado no prato desta balança. O antes iria pesar muito. Já o depois nem faria mexer o prato. Porque foi e é leve. Pelo caminho, algumas vezes o prato caiu para o lado menos bom. Mas, o equilíbrio esse nunca foi perdido.

 Balançou, é verdade! Esteve quase a cair, mas aí o prato da balança equilibrou! E tudo continuou… em bom!

A árvore, uma oliveira, não sei se permanece. A balança, desapareceu, mas o equilíbrio continua em grande equilíbrio!

-Pode abanar, sim, tem acontecido! Mas depressa o prato cumpre a sua função e para, equilibra e não mexe mais!

A própria balança, como se nota é do passado… de outros tempos… como a imagem transmite fielmente!

A balança desapareceu, o equilíbrio mantém-se.

16
Jul20

Uma vida de entrevistas de vida!

por cristina mota saraiva

Tenho muito orgulho na minha vida de jornalista e na forma como sempre a fui conduzindo. Ganhei muitos amigos, embora haja quem diga que nesta profissão não pode, ou não deve, haver amigos. Mas, porquê?

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Sempre os fui fazendo, em todos os quadrantes, e foi através da profissão que fiz os melhores. Nunca tive problemas com isso, nem tal influenciou a forma como trabalhei.

Tenho consciência de que fiz tudo o que devia e como devia. Houve erros, claro que sim. Houve peripécias, muitas. E houve momentos especiais, diversos. De uma enorme serie de entrevistas que fui realizando, há duas que se destacam, não só por ser a quem foi, mas também pela ideia que às vezes fazemos das pessoas e que se desmistifica, para o bem e para o mal.

Quando foi anunciada a presença de José Saramago,  em Castelo Branco,  de imediato me preocupei em preparar a entrevista. Li, reli, criticas, analises, entrevistas, sinopses… enfim. Procurei recolher o máximo de informação. Através da editora, ou da organização, já não recordo, marquei entrevista, que seria feita via telefone, para poder antecipar o acontecimento onde ia marcar presença. A resposta não demorou e depressa me fizeram chegar o número de telefone do entrevistado, nada mais, nada menos que José Saramago, ainda ele não tinha ganhado o Prémio Nobel. Avisaram-me que nem sempre ele era uma pessoa simpática e acessível. Fui um bocado a medo, mas liguei.

Atende ele, diretamente. Apresentei-me e nem foi preciso dizer ao que ia, dado que ele já estava à espera e percebeu logo o que se tratava. Não recordo a conversa, sei que tive a sensação de que aquela pessoa não era a mesma de quem me tinham falado. Cordial, simpático, mesmo.

A tudo respondeu sem hesitar.

Escrevi a entrevista com uma enorme responsabilidade em cima dos ombros, sentia isso. E ainda ele não tinha sido distinguido com o Nobel e ainda bem que eu não podia prever o futuro, para não sentir ainda maior responsabilidade!

Não recordo quem ou a que propósito (também não é fundamental), foi convidado para vir à cidade, para participar num colóquio que decorreu no Auditório da ESE. Acho que não terei tomado muita atenção ao colóquio. Ansiava pelo final, para lhe oferecer o jornal onde estava plasmada a entrevista que lhe tinha feito e para que me autografasse o jornal.

Assim fiz! Entretanto, no final, colegas meus aguardaram uma entrevista.

Senti-me importante. A minha já estava feita!! E ia ser autografada! Já tinha, também entregue o mesmo jornal ao escritor. Não lhe deu grande importância e entregou-o a uma senhora, ainda jovem. A medo pedi o autografo, mas acho que já não tive coragem para pedir a fotografia.

E afastei-me com o intuito de assistir à entrevista que ia dar ao meus colegas.

E foi aí que confirmei aquilo que me ensinaram e que sempre soube e defendi, até para me defender. Um dos conselhos que nunca esqueci, nas diversas formações que fui fazendo foi o de que: se não souberes, pergunta! Mas pergunta sabendo o que estás a perguntar e não porque te encomendaram a pergunta.

É que, quando sai a primeira pergunta, acabou logo a entrevista. Foi, mais ou menos, algo no género: então do que é que fala este livro?

Aí sim, ele mostrou o seu feitio. E com razão! Mas que pergunta é essa? Vá primeiro ler o livro e depois logo se vê se falo consigo.

Eu própria me senti mal. Mas, também percebi que, provavelmente o seu mau feitio ressaltava quando se cruzava com situações  ou pessoas ridículas. Portanto, se não souberes, pergunta! Mas pergunta sabendo o que estás a perguntar e não porque te encomendaram a pergunta. Aí, sim, terás a certeza de que vais receber a resposta certa.

Continuei o meu trabalho, procurando imprimir um tudo o que fazia o meu maior empenho. Seriedade e isenção, esta sempre subjetiva e, assumo, praticamente impossivel... podemos tentar, mas será dificil conseguir  na totalidade. Afinal, somos humanos, sentimos, temos opiniões.

Passado talvez uma semana abro o e-mail, de manhã e como habitualmente muito carregado. A maioria lixo e publicidade, começo por aí a descartar o que não era preciso.

De repente… um email da editora de Saramago. A que proposito??

Abri. Poucas palavras:

Serve este e-mail, para lhe dar os parabéns. O escritor José Saramago leu a sua entrevista e agradeceu o bom português e, sobretudo a excelente pontuação.

Nem sabia o que dizer, fiquei emocionada, confesso que assomou uma lágrima. E no momento, pensei…

Para quem escreve sem cumprir as normas pre estabelecidas, mas sabendo bem  o quê e como se faz, isto só pode ser um elogio… e grande! Só lamento não ter guardado esses documentos!

Mal sabia eu que aconteceria anos depois. Resta-me a recordação e um grande orgulho!

 

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Á frente! Uma outra pessoa que entrevistei,  que me matcou e fiquei a admirar até hoje, foi o alpinista João Garcia. Tinha acabado de sair o seu livro da subida ao Everest, “A mais alta solidão”.

Li algumas noticias mas, na altura a informação não era muita e apenas encontrava as noticias do acontecimento. Por isso, comprei o livro e li, rapidamente. A história era interessantíssima, de uma realidade cruel que resultou na morte de um dos protagonistas, mas serviu para mostrar um exemplo de coragem e resiliência que é uma lição para a vida. Foi outra das entrevistas que me marcaram. Foi uma conversa tão envolvente, que tiveram que nos chamar a atenção, do tempo que já levávamos e a galeria onde decorreu a apresentação e onde decorria a entrevista, precisava fechar portas.

A sede da Alma Azul, a editora que promoveu o evento era uma casa antiga e com paredes de pedra. Quando chegou, João Garcia olhou, elogiou o espaço e… espanto… começou a trepar pelas paredes. Fotografei! E depois saí do espaço sem saber o que pensar, mas com vontade de rir.

Durante o coloquio, João Garcia, que na conversa comigo se mostrara uma pessoa tão doce, exasperava-se sempre que ouvia ruido na sala. A conferência acabou por ser feita, depois do pedido do autor, para que não houvese ruído na sala. Trauma provavelmente, de quem passa muito tempo sozinho, no meio do nada e em ambientes inóspitos.

14
Jul20

Um amor tranquilo! Será?

por cristina mota saraiva

Depois de tantas paixões falidas, tudo o que eu quero é a paz de um amor tranquilo.

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Foram paixões diversas as que tive. Não chegaram a bom porto e deixaram-me exausta. Como tal, chegou a hora de desejar algo de mais e de bom. Quero! Tenho direito a isso!

Depois de tantas paixões falidas, tudo o que eu quero é a paz de um amor tranquilo.

Estas palavras não são meras palavras de uma tentativa de gritar a imensidão daquilo que sinto.

Chegou a hora de encontrar o amor tranquilo. Não! Não é pedir muito, não! Queria fazer por isso! Quero!!

Mas. Não! Parece que não! … E de repente a inquietação! Afinal aquela que esperavas, há muito!! Afinal já podia ter acontecido

Mas será que pode acontecer? Claro que sim!! Não devia, mas pode!

E assim vais andando, de novo na incerteza, na incógnita! E essa paz transforma-se outra vez! E a tranquilidade não vem. E a duvida regressa e persiste e continua. Pode ser outra, mas está lá!

Afinal, o amor tranquilo que tando desejas, ainda não acontece!

Volta tudo, de novo. A incerteza, a dúvida.

De qualquer forma, também não esperas muito! Não deves esperar muito. Não podes esperar muito!

E a inquietação, de novo! E o amor regressa, mas não é o tranquilo que tanto querias.

Mas é aquele que sempre quiseste!

Por isso, continuas… e tudo regressa de novo. Mas, agora tens a certeza! É reciproco! Será? Ou és tu que queres que seja!

Mas, afinal, que interessa? Vai, mas vai com convicção!

A partir daí, logo se vê!

 E, entretanto, volta o turbilhão. E as borboletas no estômago… e a inquietação!...mas está lá a certeza!... de que é recíproco. Será?...

São sentimentos levados a exaustão, após tantas relações doridas e sentimentos sofridos.

Agora tens o que sempre quiseste, embora ainda não seja como querias. E isso que importa, está lá aquilo que querias. Longe mas perto…. Porque do longe se faz perto…

E tens…mas continuas à espera! A espera que sempre tiveste, mas com a certeza de que poderás deixar de esperar!E é só isso que conta. Agora!

NA - “Depois de tantas paixões falidas, tudo o que eu quero é a paz de um amor tranquilo”.  Foi esta a frase que deu azo a este texto, encontrada algures na internet.

12
Jul20

Pelo sonho é que vamos…

por cristina mota saraiva

 

 

Objetivos, sonhos, metas e amores. São a linha que nos comanda. Depois a concretização, ou não, depende de nós.

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De acreditar, de procurar, de ir, de concretizar, mas, sobretudo de não desistir!

E não desisto! E vou, sempre! E consigo, quase sempre! E consegui! A partir de agora o sonho comanda… e a sorte e a atitude!

Aceito tudo como está! Afinal não preciso de mais! Até porque, como eu bem sei, de um momento para o outro, tudo muda! E ás vezes acaba!  E eu quero que continue, com virgulas, reticências, interrogações, mas acima de tudo, exclamações!... de amor ou de dor… de prazer!

Agora é assim, amanhã logo se verá! Que importa? Vivo o presente, bem presente… dure o que durar, mas que esteja aqui, uma hora, um dia,… não importa! Que estejas!!!

Eu estou ! E tu? Vens? Claro que sim! Sinto-te ao meu lado!! A incógnita desfaz-se.

 E por aí vamos… pelo sonho é que vamos… chegamos?

“Pelo sonho é que vamos, / Comovidos e mudos. / Chegamos? Não chegamos?/ (…) Basta a esperança naquilo / Que talvez não teremos.

Basta que a alma demos, / Com a mesma alegria,(Chegamos? Não chegamos? Partimos. Vamos. Somos. (…) - Sebastião da Gama

11
Jul20

No hoje e no futuro!

por cristina mota saraiva

Ao longo da vida vais vivendo as tuas paixões, umas vezes em público, outras em privado, outras mesmo só para ti. E assim andas, correspondida, não correspondida... a paixão vai-se mantendo e até crescendo. É algo de dentro, mas que gostarias que fosse mais, que extravasasse.

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Alimentas a vontade só para ti, com a certeza de que o que tiver que ser será! E, um dia, percebes que já podia ter sido há mais tempo… que já poderias ter concretizado os teus sentimentos, os teus desejos.

 Palavras, nem sempre são levadas pelo vento. Ás vezes ficam. Ás vezes permanecem. Ás vezes revelam!

Revelam algo que não é só teu, mas é também do outro! E revelam que o que queres pode ser! E é! E será!

Pode até nem ser bem como imaginaste, Mas é ! E isso basta! Basta para ti, bastará para o outro? Não importa! O que importa é que chegaste la! Finalmente! Só lamentas o tempo perdido, mas esse pode ser recuperado, mas, mesmo que não seja, pode ser vivido! No hoje e no amanhã! Sobretudo no amanhã!

E então descansas! E não lamentas! O que importa é o que virá! O futuro é hoje! E Eu estou cá e vou estar! Sempre! No hoje e no futuro!!!

09
Jul20

Aqueles olhos cor de mel

por cristina mota saraiva

Vinte é o número que, ainda hoje, baila na cabeça dele! Neste momento arrepende-se fortemente de ter entrado naquela brincadeira estúpida e que lhe fez perder o amor da sua vida!

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Foi  assim,! Apenas 20 segundos e vais ter que lhe mostrar todos os teus dotes, utilizares o teu charme e tentares conquistá-la, mostrando te apaixonado. Os amigos riram, gozaram, mesmo.  E Pedro não quis dar parte de fraco. A aposta apareceu assim e desafiou  a sua auto confiança e vaidade.

Sempre bem ‘cotado’ entre o público feminino, sabia o efeito que causava nas mulheres. Tanto mais, agora, cuja pele já apresentava um tom bronzeado e como já regressara ao ginásio, a sua boa forma física era evidente. Um bocadinho convencido, talvez. Ele preferia dizer realista.

 “Tudo o que precisas são 20 segundos de coragem...". Foi uma aposta! Hoje, pensando bem foi a pior aposta que fez na vida! Os sentimentos podem ser cronómetros, mas não se cronometram! Os ponteiros podem rodar e até parar, mas têm o seu tempo que se mete em segundos. Mas, os sentimentos, não !

Numa noite de copos, a aposta surgiu do nada e sem nada se saber da lição que ele iria retirar.

Pedro chegou ao jardim e deram-lhe logo uma cerveja para a mão.

A festa decorria na vivenda da Suzana, uma amiga de longa data, vizinha, mas que pouco se viam. Passavam meses, cada um na sua vida, cada um com o seu cronómetro. Mas aquele reencontro no início do Verão era imprescindível e a forma de matar saudades uns dos outros. Aí já não era o cronómetro. Era mesmo o calendário que mandava! A maioria amigos desde o infantário, alguns vizinhos, outros que se lhes foram juntando. O importante era haver festa! E  a casa da Suzana era ideal, um bonito e bem cuidado relvado, uma piscina, um barbecue.! Que mais poderiam querer para abrir a “época balnear”, como diziam!

Ainda não tinha chegado ao outro lado do relvado, entre abraços e beijinhos, quando os seus olhos se cruzaram com os olhos castanhos, cor de mel, mais bonitos e extraordinários que vira até então. Até se engasgou com um gole de cerveja que bebeu sôfrego, sem conseguir tirar os olhos dela.

Pedro nem era nada destas coisas. Apreciava uma mulher bonita, de preferência morena, cabelo comprido, alta... Era o seu ’ideal, se bem que era apenas um estereotipo ’. Mas aqueles olhos eram de  uma ‘miúda’ baixinha, cabelo preto curto, estes cortes da moda… curtinho e puxado para cima, com gel. Uma menina mulher, como tantas outras que havia por aí e até naquela festa. O que não havia ali, nem por aí, eram uns olhos como aqueles.

E disfarçadamente, Pedro foi-se aproximando e no meio de alguma confusão fingiu desequilibrar-se e encostou-se a ela, fazendo-a entornar um bocado de sumo. Ela pareceu não achar piada. Mas, Pedro convencido do seu charme, falou.

-Desculpe, empurraram-me!, disse fingindo-se envergonhado.

- Ok, a seguir vai perguntar-me se já nos cruzámos nalgum lado?... ou de onde nos conhecemos?, continuou a menina mulher.

Pedro ficou desconcertado.

Não esperava aquela reação. Tinha sido apanhado. E meio sem jeito, procurou explicar-se. Pior, as palavras saíram-lhe sem nexo.

- Muito prazer, eu sou a Carla!, disse deixando-o ainda mais sem jeito. E sem esperar resposta saiu dali e foi sentar-se do outro lado da festa. Uma amiga ainda se mostrou com ‘ciúmes’ por ela ter conseguido a atenção de Pedro.

- É todo teu! Estás à-vontade.

À-vontade estaria, Pedro é que não queria.

Ele continuou deambulando por ali, falando com uns e com outros, fazendo piadas e ouvindo anedotas. Mas a sua mente estava focada naquela menina-mulher. Tinha que remediar a situação  e conseguir a sua confiança. Estava a perder qualidades, pensou zangado consigo. Logo depois refletiu: que falta de nível. Afinal o que tinha sido aquilo? Álcool não era, porque acabara de chegar, foi sim a soberba e autoconfiança exacerbada. Não resistiu àquele desafio  infantil e sentiu-se, agora, um reles ser humano, que se deixara empurrar para uma aposta mais do que ridícula! Por mais que tentasse aproximar-se para uma explicação plausível, mas sempre forçada, aquela menina mulher não lhe dava troco, completamente indiferente!

Pedro já não sabia o que fazer mais. Percebia, entretanto, que ela, aquela menina mulher, estava a gostar da brincadeira, fazendo-o sentir-se mal, muito mal, mesmo, envergonhado, ridículo, bacoco.

Aquela menina mulher deitara por terra tantos anos de seduções e conquistas a que estava habituado. Um verdadeiro playboy, agora com a auto estima de rastos. Foram necessários, apenas 20 segundos. Pedro percebeu que a sua aparência não era tudo. Havia mulheres que queriam e mereciam mais do que isso.

Aquela baixinha, com olhos cor de mel, como nunca vira, dera-lhe uma grande lição. Saiu da festa mais cedo, talvez 20 segundos mais cedo. Nunca mais teria atitudes de galã de trazer por casa. Mas ainda pensou durante muito tempo naquela menina mulher de olhos cor de mel.

Acompanhou os seus sucessos, viu-a tornar-se numa grande empresária, mas nunca mais se cruzou com aquela meninamulher,  baixinha, dos olhos cor de mel

 

PS – A frase que deu origem a este texto descobri-a num blog, que infelizmente não recordo o nome. Era assumida como sendo da responsável desse blog. Numa pesquisa simples, depressa percebi  que, afinal não!

A frase solta é de Benjamin Mee. E completa é assim: Às vezes tudo que você precisa são de 20 segundos de uma coragem insana. Literalmente 20 segundos de bravura destemida. E eu lhe prometo, algo maravilhoso virá disso.

O seu a seu dono. Da minha parte reposta a verdade!

08
Jul20

Virtual!! Sem olhar para trás!

por cristina mota saraiva

Estás tu descansadinha na tua vida, calma e às vezes até aborrecida e eis que, do nada surge alguém! Assim, de mansinho, como quem não quer nada. E tu até respondes e aceitas esta amizade virtual! Parece que agora é moda e quem as não tem está longe da realidade.

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Só que esta, de todo, não é a tua! Mas vais, pelo menos ver como é, esta moda que todos falam. Dizem que assim começam grandes amizades e, às vezes até grandes amores! Não acreditas muito nisso, mas até tens vontade de experimentar e entras na ‘brincadeira’.

O que virá daí? Será que queres saber? Encolhes os ombros com alguma indiferença. Mas, se calhar até queres! E vais-te deixando envolver, com algumas falinhas mansas, em que nunca acreditaste! Então porquê agora? E a resposta não aparece, ou és tu que não queres saber! É uma dualidade de sentimentos e até de critérios!

E, assim, nessa letargia, vais-te deixando envolver, mas lutando contra isso. Pode ser, será?!... um jogo perigoso! Mas, se calhar queres jogá-lo!

E pronto, baixas a guarda e começas, também a jogar este jogo perigoso! Muito a medo, mas lá vais! As primeiras sensações que retiras até são positivas. Mas, continuas a medo!

Não pretendes nada com isso. Apenas falar com alguém, dasabafar, conhecer, discutir. E daí até provavelmente uma boa amizade.

E também refletes: Afinal aqueles que consideravas amigos, foram os primeiros a abandonar-te e a deixarem-te sem ninguém para falar.. Pode ser que daqui apareça uma outra amizade, quem sabe, até, mais verdadeira.

E aí vais… sem medos… ou a medo. Mas, de quê? Então vai! Sem olhar para trás!

Os amigos que foram e os que ficaram. Foi este o tema proposto, para mais um desafio de escrita. Parece que o tema dos amigos te persegue… vá-se lá saber porquê. Deves ter que exorcizar alguns fantasmas… pode ser hoje?!

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Sim, porque ainda hoje não esqueces quem se aproveitou de ti, usou e abusou, em diversos sentidos e no sentido literal da frase. Mas siga!

O que é teu guardado está, para o bom e para o mau,  na certeza que continuarás a ser a mesma. O que passou, passou… será que é assim a canção.

A partir daí, o que importa é o que vem…

Quem vive de passado é museu… e podia continuar por aí fora…  mas, não vale a pena, porque o fundamental é mesmo seguir! E assim honrar toda uma luta, que ainda hoje continua e na qual ganhas uma batalha a cada dia!

Quando pensas que está tudo bem, vem a vida diz- te que não é bem assim e vira tudo ao contrário! Tu és a prova disso!

Recordas amiúde o que aconteceu, mas nem sempre lembras porque aconteceu, o que é bom sinal, significa que está arrumado.

Aliás, ficou logo arrumado. Um casamento de 18 anos, não termina de um dia para o outro… vinha terminando, e tu decides acabá-lo de um dia para o outro. Ao fim desses anos, um dia chega e dizes NÃO!!! Tinha que ser, era inevitável.

E porquê? Alguns mostraram-se surpreendidos! Hipocrisia pura. Foram esses talvez os primeiros a saber! A saber da traição! A tentar reverter e a não serem corretos contigo. Isso não esqueces, também. Quando a criatura exibe a “amiga” e a leva a casa desses supostos amigos e eles nada te dizem, quando a criatura leva a “amiga” à festa, em frente a toda a gente,  e ninguém te diz nada, isso é o quê? É preciso dizer mais alguma coisa?? Não vale a pena!

E és tu que vais juntando as peças e construindo o puzzle, até chegares à conclusão final! E aí tomas a única atitude possível: agarras numa pequena trouxa e sais!

Para trás deixas toda uma vida, mas começas a construir outra, livre e leve!

A partir daí estás por tua conta! Ergues a cabeça e segues! Contornas todos os obstáculos, muitos outros, que te aparecem e quem tens ao lado? Ninguém! Aliás, a família!

 Aí sim, cais na real! Onde está toda a gente, aqueles a quem abriste a porta, a quem desde de comer e de beber, altas comezainas, refira-se, e até emprestaste a tua casa, para lautos fins-de-semana. Onde estão esses! Ainda hoje, não sabes! Porque a seguir a tudo aquilo, nada!!

Onde está toda a gente?! Apenas tu e outros muito poucos, os bons, os verdadeiros, os de sempre! E tu! E a família!

Continuas de cabeça erguida! Contornas todas as rasteiras, manténs-te de pé! E prossegues a tua vida!

E quando já tudo está  encaminhado… tau!! Aparece o pior. A saúde ressente-se! E desta vez o embate é BRUTAL!... e lutas pela vida!  E, mais uma vez, consegues vencer!

E quem se preocupou contigo? Apenas os outros, muito poucos, os bons, os verdadeiros! E a família!

Aqueles da casa aos fins-de-semana, que te enchiam a piscina… esses… nada! E ainda se mostram surpreendidos e magoados, quando os excluis! Pois, porque agora já não vale a pena, mas ficavas bem na sua lista de amigos!

Nesse sentido… sigaaa!!! O que interessa é ser feliz!!



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