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29
Jun20

Dá uma festa, ou fica doente!!!

por cristina mota saraiva
   

Se queres saber se tens muitos amigos dá uma festa. Se queres saber a sua qualidade fica doente. É uma frase que ouvi algures e que ficou na memória, mal sabia eu que viria a comprová-la.

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É o velho problema de que só és lembrada quando apareces. Ou quando dás algo de ti. E, aí, sim, os amigos aparecem, porque dá jeito ou porque… sei lá, mas aparecem e chamam-te. Depois, nada! Sim, dói!

É verdade que os tempos não são de saídas, muito menos de visitas. Sim, é verdade. Também é verdade que, quando o eram, igualmente ninguém te dizia nada. Porque a vida é a correr, porque aparece sempre algo para fazer, porque não há tempo, porque o tempo foi gasto noutra coisa, porque…

Porque nada! Porque és esquecida, porque és um estorvo! Porque já não és precisa!

Porque… a vida é mesmo assim… e roda, roda, roda! E nessa roda tu não cabes, já não há espaço!

E ninguém percebe ou se apercebe, ou não quer perceber ou aperceber-se. Porque, afinal até tens telemóvel! E com telemóvel não é preciso presença física. E o vírus não se transmite!!...

E pronto, continua a tua vida enquanto puderes e como puderes.

E pronto… roda, roda, roda… e lá vais entrando na roda, mais devagar, mas também não importa.

O importante é que estás lá, nem que seja sozinha!

avante.jpg

«A festa [do Avante!] está marcada desde o ano passado e estamos a pensar realizá-la.» Jerónimo de Sousa, 23 de Junho, no Palácio de Belém. Será que alguém pode por juízo na cabeça deste senhor!

Sem querer ofender, provavelmente a idade já está a afetá-lo.

Eu própria frequentei a Festa, em anos idos. Sim, reconheço que é uma atividade única e, onde a musica e a cultura do Mundo estão em destaque. Independentemente de ser uma atividade ligada a um partido político, a verdade é que é um grande Festival, ninguém põe isso em dúvida.

Mas, caramba, como já disse noutro local e a propósito de um outro assunto, “podem morrer, mas morrem democratas!”.Será que não há bom senso??

De qualquer forma, vou esperar até ao fim, aguardando que a festa não se realize, mesmo! Ainda que se garanta que vão ser tomadas todas as precauções… isto até dá vontade de rir!!

Onde estão os responsáveis deste país? E depois a mim é que me chamam nomes… bah… e isso que importa? Importa, sim, que haja uma posição de força, por parte do Governo, para que isso não aconteça!

Afinal, será em prol de todo um país… e uma questão de saúde pública! Se é necessário proibir, pois que se proíba!! Este e outros do Género, como tem vindo a acontecer. Lembram-se de Fátima, e não era um Festival?? Mas os responsáveis perceberam o que se estava a passar e o que poderia acontecer!

E o problema não são aqueles que vão e que o fazem por conta e risco próprio! O problema é que, depois vêm cá para fora espalhar a maleita, que como já se percebeu é muito simples e rápida!

Por isso, tenham juízo! E sim, repito, o Governo tem que ter a coragem de se impor!!

Só para esclarecer poucos conhecem o meu historial do antes 25 de Abril, para virem, tecer comentários “anti fascistas”! Provavelmente eu saberei melhor que eles, não por ter passado por isso, atendendo à idade, mas por ter familiares bem próximos, que viveram esse período, com os seus nomes a estarem inscritos nos cadernos da PIDE e perseguidos!

27
Jun20

O melhor e único pôr do sol

por cristina mota saraiva

sol da meia noite.jpg

Era um por do sol como nunca tinha visto. E não, não é uma frase de ocasião, mas sim, aquilo que, de facto acontecia. A juntar a este facto convém referir que eram duas da manhã.

Era o chamado Sol da Meia Noite. Estava ali, mesmo à minha frente algo só possível ver a norte do Círculo Polar Ártico, no hemisfério norte e no Circulo Polar Antartico, no hemisfério Sul. A minha experiência aconteceu no norte, em que o sol permaneceu por 24 horas, próximo do solstício e durante alguns dias, que aumentam quanto mais perto estivermos do polo.

É indiscritível! Só mesmo estando lá, para viver a experiência. E eu estive e vivi!!

De resto, este foi o ponto alto de uma semana em viagem pela Islândia. O país dos vulcões, dos geiseres, dos campos de lava e muito… muito mais!

O país dos vikings, com Reiquiavique como capital, onde podemos conhecer alguma da sua história , nos diversos museus que ali existem.

A fotonão é minha. Foi retirada da internet!

26
Jun20

Um traidor será sempre um traidor!

por cristina mota saraiva

Um traidor será sempre um traidor! Não muda, ainda que tente!... ou que nós pensemos que tente…

TRAIÇÃO! É um corte, uma violação, em primeira instância, de alguém em quem se confiava. Ou seja, uma rutura. E esta circunstância leva à deceção de quem confiou.

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A traição pode, anda, ser o ato de apoiar o grupo rival ou, é uma rutura completa da decisão anteriormente tomada ou das normas presumidas pelos outros.

A traição entre pessoas é um ato de profunda deceção, para a parte traída, sobretudo quando o sentimento se prende com o amor ou a amizade.

Em qualquer dos casos, é uma atitude triste e inqualificável.

Tu depositas total confiança na pessoa e, depois, o que acontece? A pessoa prova-te que é tudo, menos aquilo que tu pensavas.

É este tipo de pessoa que te leva a desconfiar do outro, a nunca mais te entregares, a seres demasiado intransigente com o outro. A partir de uma traição, nada será como era!

O grande desafio, a partir daí, passa por começares a ganhar confiança e a acreditar nos outros! Mas, não é fácil! Fundamental será rodeares te de pessoas em quem acredites e que transmitam confiança, para começares a reerguer-te. Sim, porque numa traição tu vais mesmo abaixo, perdes todos os suportes! E depois? Tudo depende de ti! De começares a acreditar em ti! De começares a ter amor próprio!

 

O boneco não é meu é. Foi retirada da internet! do site https://agnes.no.comunidades.net/index.php

22
Jun20

Carta daqui para aí... onde estiveres!

por cristina mota saraiva

Olá Paulo, meu amor:

Imagino que estejas muito zangado comigo, pois já há algum tempo que não te digo nada.

Mas, sabes… sim, tu sabes, é sempre uma correria, continua a ser a de sempre. Agora, ainda pior, uma vez que já não estás e não podes dar uma mãozinha, que mais não fosse para ficares sentado junto à piscina, na sombra do guarda-sol, à minha espera!

piscina3.jpg

Nos últimos dias, descuidei-me um bocado com o jardim. Vá lá que a piscina, depois da última intervenção da empresa responsável, voltou a ser a nossa piscina transparente e onde à noite, as luzes refletiam a nossa cumplicidade.

Continuam a refletir, mas de forma mais esmorecida! Também elas sentem a tua falta! Eras tu que, à noite falavas com elas, altas horas, mas muitas vezes, sobretudo aos fins-de-semana. Depois da meia noite, depois de nos amarmos, elas lá estavam à tua espera. Uma noite, amámo-nos dentro de água e elas não gostaram! De repente, apagaram-se. Depois da surpresa e quase susto, rimo-nos!... Lembras-te Paulo!

Tu é que quiseste a piscina. Eu não fazia questão, hoje agradeço a tua teimosia. Quando as saudades apertam é lá que relaxo e animo e me lembro de ti e é lá que choro as saudades. Ali posso chorar à vontade! Ninguém vê as minhas lágrimas… confundem-se com os salpicos!

Sabia que nos iriamos separar mais cedo do que o que seria suposto. Mas, resta sempre a esperança e tu eras a esperança em pessoa.

E cada dia que passava era uma vitória. Já nem lembravas, ou disfarçavas muito bem, que o limite imposto pelos médicos já ia muito além! Cada dia era uma vitória. Maldita doença!

Os pés já demonstravam alguma fragilidade.  A paramiloidose, ou doença dos pezinhos ia acabar contigo! TU SABIAS! Por isso vivias e querias que eu vivesse contigo! E eu fazia de tudo para isso, para te acompanhar! Muitas vezes fi-lo com sacrifício! Acho que percebias isso e, depois, ao final da noite, apanhava-te a olhar fixamente para mim e o teu olhar queria agradecer-me! Não era necessário! Tu também sabias, mas fazias questão! Lembro muitas vezes esse teu olhar e tantos outros olhares que me deixaste! Para além do teu beijo, o teu olhar foi outra das heranças! As que eu quis, as outras não fazia questão, mas a casa com piscina, essa sim, fazia!

Bem, Paulo, a piscina está à, minha espera, hoje vou falar com as luzes e contar-lhes que te escrevi! Elas, com certeza, mandam cumprimentos e frisam as saudades que têm tuas!

São as saudades que não passam! E não saram! E vão ficar sempre por aqui. A piscina está lá, para lembrar! Beijinhos e até sempre. Um beijo daqueles como só tu sabes!

Prometo não demorar tanto tempo a escrever-te

… do teu amor… Cris

 

A foto não é minha foi retirada da Internet

21
Jun20

O último beijo!

por cristina mota saraiva

O beijo é uma linguagem universal e pode ser símbolo de respeito, carinho, afeição e amor. Quando chegamos e quando nos despedirmos. Para dar alento, ou para festejar…

beijo.jpg

 

Por isso te beijo, quando chegas, quando vais, quando choras ou quando ris.

Mas há aquele beijo, o que é dado entre duas pessoas e sela o amor que as une. O que chega à alma, o que faz borbulhinhas na barriga, o que arrepia, o que desarma!

É tudo isso que sinto, quando estou contigo e me beijas. Sem autorização, invades a minha boca e calas-me. Eu também não quero falar, apenas sentir!

Sentir que me beijas e que eu te beijo. Que nos beijamos. Que sentimos. Que nos amamos.

Beijo eu, beijas tu.. melhor beijavas e era único. Agora já não e, o último beijo fui eu que te dei e tu já não sentiste! como sentias sempre e, também, já não respondeste, como respondias sempre. Foi o último beijo. E as emoções, neste momento em que já não estás são tantas, impedem-me, até de recordar o penúltimo beijo! Que, de facto foi o último que me deste! Não, não lembro, porque apenas sinto, que não volto a sentir o teu beijo! Partiste, tu e o teu beijo e por isso, o beijo que te dei foi, talvez, o mais sentido, embora tu não sentisses, porque foi o último. Descansa em Paz, com este último beijo! Até que nos voltemos a beijar!

desenho: PNGWING

* Este texto foi escrito após solicitação da animadora Dalila Delgado, no âmbito das atividades de confinamento, #Estamos em casa, da Associação de Apoio à Criança do Distrito de Castelo Branco.

 

 

21
Jun20

Esquina marcante

por cristina mota saraiva

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São muitas e diversas as esquinas marcantes da vida. Uma esquina é, no fundo um ângulo saliente formado por duas superfícies, no seu significado literal e segundo o dicionário. Para além disso, indica que algo está prestes a acontecer, por exemplo, quando utilizamos a expressão ao virar da esquina’, quer dizer, para além do significado literal, e segundo o Dicionário, indicia que algo está próximo de acontecer.

Uma esquina é, também a incógnita.  O que está para lá?? E para o saber temos, mesmo, que virar a esquina, ou quando muito,  espreitar, mas, tudo isto é sempre, para lá da esquina.

Ou seja, mesmo ali, ao virar da esquina…aí está a resposta!

 

Imagem:FREEPIK.COM

* Este texto foi escrito após solicitação da animadora Dalila Delgado, no âmbito das atividades de confinamento, #Estamos em casa, da Associação de Apoio à Criança do Distrito de Castelo Branco.

21
Jun20

A metáfora do amor

por cristina mota saraiva

Tu falavas, muitas vezes por metáforas e eu, sem saber deixei-me absorver!

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Sabia que as metáforas eram perigosas, mas tu querias manter-me assim, enrolada em palavras!

 Cobriste-me com a tua asa e eu, senti-me protegida! Mal sabia eu, que entrava numa espiral de sentimentos, Da qual viria a sair cheia de escaras. Sim, porque tu nem sequer ficaste para, pelo menos, colocar pomada. E, assim, com tanta cicatriz, fiz-me à vida, na esperança de encontrar o açúcar para sarar. Dizem que o açúcar faz bem às feridas!... Continuo à procura!...

 

* Este texto foi escrito após solicitação da animadora Dalila Delgado, no âmbito das atividades de confinamento, #Estamos em casa, da Associação de Apoio à Criança do Distrito de Castelo Branco.

16
Jun20

Uma caminhada curiosa

por cristina mota saraiva

Não tenho um grande historial de caminhadas. Nunca me rendi a essa moda, porque não passa disso mesmo, para a maioria das pessoas. Mas, ainda bem, porque assim, sempre se promove o exercício que leva ao bem estar.

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ara além de ter tentado ir a Fátima a pé, o que não consegui por motivos de saúde (subida repentina da tensão arterial) pouco mais fiz, como caminhada.

Mas, um dia, eu e uma amiga e colega, depois de um trabalho que terminou mais cedo do que  previsto e sem grandes  alternativas para ocupar o tempo, uma vez que o trabalho decorreu no concelho de Oleiros, decidimos entrar na aventura. Nesse tempo começava a falar-se nos percursos pedestres  e começavam a ser marcadas rotas de passeio. Falava-se, já num percurso no Orvalho. E já que andávamos por ali, pensámos: não é tarde, nem é cedo… e aí vamos nós, sem muito bem saber ao que íamos, até porque não havia, qualquer tipo de indicação, ou marcação,  mas também não fazia mal… tínhamos todo o tempo do mundo. E lá fomos!

Foi mesmo um passeio e, para além dos muitos quilómetros, que ainda hoje não sei quantos foram… fomos conversando, trocando ideias, discutindo assuntos… e tirando fotografias!

De repente, estamos junto a uma queda de água. Se até aí as paisagens nos deslumbraram sobremaneira, aquele local era idílico, parecendo ser o paraíso. De resto se o paraíso existir não deve ser muito diferente daquele local.

Claro  que, aí, as fotografias foram… mais que muitas! Com tudo isto, as horas avançaram mais depressa do que nós caminhamos. E havia outro trabalho para fazer. Tínhamos que apressar o passo. Até porque também estava quase a fazer-se de noite!

Tinha sido bastante produtivo aquele dia. Aquela aventura superara tudo! Agora tínhamos que passar pela fonte para nos refrescarmos, nos compormos e seguirmos para outro trabalho. E não, não estávamos cansadas!

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* Este texto foi escrito após solicitação da animadora Dalila Delgado, no âmbito das atividades de confinamento, #Estamos em casa, da Associação de Apoio à Criança do Distrito de Castelo Branco.

16
Jun20

Tradições dos santos populares

por cristina mota saraiva

santos-populares.jpg

 

Junho é o mês dos santos populares. Nos bairros mais típicos e antigos de Lisboa, as ruas são decoradas com grinaldas de flores, balões e lanternas feitas em papel colorido, criando um ambiente alegre repleto de cores, luzes e música, a que se mistura o fumo das fogueiras e das sardinhas assadas na brasa, abafando o cheiro dos manjericos pendurados em cada janela. À noite, toda a gente sai à rua, fazendo o arraial. Nas esplanadas improvisadas, as sardinhas fazem-se acompanhar pelo caldo verde, pão com chouriça e vinho tinto.

Foi assim que tudo começou e a partir daí a tradição estendeu-se pelo país. Em Castelo Branco, nos últimos anos, os Santos populares têm vindo a ser assinalados, com os tradicionais arraiais, festejos assegurados por associações, ou grupos de moradores. É normal verem-se festas no Largo de São João,  normalmente assegurados pelo Clube de Castelo Branco, que ai tem a sua sede e nas associações da Carapalha e Ribeiro das Perdizes. No  Largo de Santo António, também um grupo de moradores costuma juntar-se para não deixar passar em claro a data.

Este ano, tudo ficou comprometido, por cauda da pandemia.

Manjerico Porquê?


Em Lisboa, o ciclo de Junho abrange as celebrações em nome dos três santos populares — Santo António, S. João e S. Pedro — , e consta de iluminações festivas, desfiles e «marchas» de «bairros», com as suas cantigas, bandeiras e luminárias, bailes populares nos mercados, fogueiras em certas ruas e bairros populares, venda de ervas aromáticas, etc, sobretudo manjerico.

O primeiro santo a ser celebrado neste ciclo é Santo António, cuja festa ocorre a 13 de Junho. É tido como um santo alegre e bonacheirão, que favorece as moças solteiras arranjando-lhes casamento. Se nada, na sua biografia, suporta esta versão, isso deriva da persistência da tradição pagã que, por esta altura, na proximidade do solstício de Verão, festeja a fecundidade, os frutos e os cereais que brotam da terra e o início da época estival.

São vários os ritos que se fazem nesta noite para angariar noivo ou para lhe adivinhar a identidade:

  • a imagem do santo é afogado, vendado, colocado de cabeça para baixo, enquanto a rapariga faz o pedido de marido, mantendo a imagem dessa maneira, até ser realizado;
  • a rapariga escreve o nome de cada um dos seus pretendentes num papel que dobra e põe todos os papéis e um outro em branco, igualmente dobrado, numa bacia com água, para que, na manhã seguinte, o papel que estiver mais desdobrado lhe apresenta o nome do futuro marido, sendo que, se for o que estava em branco, significa que ficará solteira ou, na melhor das hipóteses, de alguém que ainda irá conhecer;
  • à meia-noite, num quarto às escuras e diante de um espelho, a rapariga diz sete vezes o nome de Santo António e acende uma vela, após o que olha na direção do espelho e vê refletido nele as feições do homem com quem irá casar;

Outra das tradições desta altura é o manjerico

O manjerico, também conhecido como “erva dos namorados”, é um dos principais atributos destas festas. Manda a tradição que os rapazes comprem um pequeno vaso de barro com um manjerico, a que se juntou recentemente um cravo de papel e uma bandeirola com uma quadra, jocosa ou brejeira, para oferecer às namoradas, numa prova de amor ou numa tentativa de conquista. É uma planta delicada, que seca passado pouco tempo: será esta uma analogia do enamoramento? Enquanto dura, é fácil de cuidar: «é só cuidar e pôr ao luar».

A origem das marchas populares pode remontar às danças populares associadas à festa das Maias e, que por serem consideradas pagãs, foram proibidas por D. João I, ainda no século XIV, mas sem um êxito efetivo, transferindo-se para os bailes de quinta-feira da espiga; entretanto, durante as invasões napoleónicas, implantou-se o costume de dançar ao som das marchas militares, tal como faziam os franceses com a revolucionária “marche aux flambeaux”, marchando alegremente com tochas acesas na mão. Às luminárias foram associados os balões de papel e o fogo-de-artifício, costumes importados do contacto com a China e que eram já comuns nas feiras e arraiais de então. Não obstante, as marchas, tal como as conhecemos hoje, foram instituídas durante o Estado Novo, em 1932, seguindo uma ideia do realizador de cinema Leitão de Barros, com objetivos propagandísticos do regime e da exaltação de uma suposta cultura popular e folclorista. Tal como as Noivas de Santo António, que surgiram em 1950 por iniciativa do Diário Popular e que, ao mesmo tempo que ajudava os “casais pobres” promoviam as casas comerciais que patrocinavam o evento; interrompidas após o 25 de Abril, foram depois retomadas por iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa.

Entretanto, outras tradições se perderam ou diluíram, como o trono de Santo António, erguido à porta de casa e onde os transeuntes deixavam esmolas, ou o pedido feito pelas crianças de “um tostãozinho para Santo António”. Ou o pular das fogueiras, nos arraiais. Também era costume que, nesta data, as igrejas distribuíssem aos mais pobres os “pãezinhos de Santo António”, sendo tradição que, se o pão não fosse comido e guardado durante o ano junto ao arroz, se conservaria sem estragar e assegurava o cumprimento de todos os pedidos feitos ao santo.

 

 

 

 

* Este texto foi escrito após solicitação da animadora Dalila Delgado, no âmbito das atividades de confinamento, #Estamos em casa, da Associação de Apoio à Criança do Distrito de Castelo Branco. 

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