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Escrever e escrever, pensar, refletir... afinal não é para isso que existem os blogs? Por aqui vão passar ideias, palavras, pensamentos... tudo o que nos der na real gana... ou não seremos "Levada da Breca".

Chegou aquela altura do ano em que…
a culpa tem o doce sabor do chocolate.
O Pai Natal trouxe as prendas…
(noutros tempos era o Menino Jesus)…
e nós continuamos a ser umas ricas prendas…
apesar de, há exatamente um ano, termos jurado solenemente
que íamos ser melhores pessoas.
Mentimos. Outra vez!
A verdade é que a virtude cansa.
Fazem-se listas, acumulam-se desejos,
embrulham-se promessas em papel colorido
e, entre uma passa atravessada na garganta
e um gole generoso de champanhe,
repete-se o ritual de fingir que agora é que é.
O mundo continua a girar,
nós continuamos mais ou menos no mesmo sítio…
e ainda bem.
Porque se cumpríssemos tudo o que prometemos,
isto seria insuportavelmente perfeito.
CMS



Eu e a Televisão: Uma ligação feita de história
A televisão e eu! Eu e a televisão! Esta paixão que floresceu no jornalismo, mas que não nasceu num estúdio, em frente às câmaras. Começou antes, quando percebi que a comunicação era, na verdade, o que me chamava. Começou, quando no quintal da Avó Leopoldina inventava noticias, simulava entrevistas e até fazia publicidade! Mas, a televisão, ou a rádio, ou mesmo o jornal, foi mais do que falar. Foi unir pessoas, aproximando a região de quem está do outro lado do papel, do outro lado do rádio, do lado de lá da televisão! A Televisão tornou-se, com o tempo, um prolongar de mim, alguém que ansiava informar, escutar, questionar e, sobretudo, dar voz a quem não a tem, ou a quem deseja ser ouvido, mas não sabe como.
Nestes mais de cinco anos de jornada na Beira Baixa TV, aprendi que a televisão vai muito mais além da imagem: é responsabilidade, é começo, é empatia. Na Beira Baixa TV encontrei mais do que um palco para o meu entusiasmo, para a minha criatividade, mas também uma forma de honrar a trajetória que sempre percorri, com um trabalho pautado pela paixão ao jornalismo, pelo compromisso com as pessoas e pela vontade de impactar positivamente a comunidade.
As entrevistas que preparo, os programas que desenvolvo e as histórias que partilho são guiados por uma regra fundamental: o jornalismo e a televisão devem servir o povo, preservando a verdade, a proximidade e a dignidade de cada entrevistado, de cada assunto, de cada telespectador.
A televisão mostrou-me que as cenas carregam emoção, que o silêncio tem significado, e que as palavras têm o poder de transformar. Hoje, entro em estúdio para prosseguir com a minha vocação: comunicar com sinceridade, representar a minha terra e criar laços entre quem se expressa e quem ouve e vê.
Ou seja, a televisão não é apenas o que vemos no ecrã. É tudo o que somos antes de a Câmara começar a gravar e tudo o que transmitimos aos outros depois do fecho.
Cristina Mota Saraiva
21/11/2025
Esta é a luta de todos!
É a luta pela defesa de uma região que, talvez por ainda conseguir preservar pequenos oásis com uma pureza quase imaginária, se torna apetecível!
Eu não quero a Sophia, porque quero que a Ana, a minha filha, que já teve de se ausentar para conseguir uma vida melhor, regresse, um dia, a um país limpo, com gente nesta região, com a nossa cultura, os nossos costumes e as nossas tradições.
É aqui que vivemos e é aqui que queremos continuar!

E queremos continuar por cá, a respirar ar puro, com uma floresta saudável!
Porque esta é a minha terra, onde quero continuar a viver (surripiei a imagem da página da Cláudia Baltazar).
Porque esta é a minha terra, aqui quero envelhecer, aqui quero continuar a ver florescer as árvores e as memórias.
Que o vento que circula nas serras leve o nosso grito:
A Beira quer viver — e viver limpa, inteira e livre!
A Força da Rita e o Chamado à Empatia

"Há 21 anos, por esta hora, chegava à Cirurgia Plástica dos HUC – Hospitais Universitários de Coimbra, para fazer uma cirurgia supostamente simples… e acabou por ser o meu inferno pessoal.
O que era para ser um procedimento rápido transformou-se numa longa travessia de dor, marcada por uma infeção brutal que me levou várias vezes ao bloco operatório ao longo dos anos — e por erros médicos nunca assumidos.
Por um desses alinhamentos cósmicos que a vida gosta de traçar, faz hoje também cinco anos que estava novamente a entrar numa Cirurgia Plástica — desta vez no Hospital de Santa Maria. Fui operada por uma equipa médica extraordinária, que me devolveu a dignidade física e humana. Trabalharam com o que havia, e não era fácil. Mas refizeram tudo.
Foram centenas de horas entre cirurgias, correções, pensos e micropigmentação. Hoje, as cicatrizes continuam comigo — mas custam mais as memórias, o medo e o tempo perdido. Foram muitos anos da minha vida nisto.
Em Coimbra, o que me valeu foram as equipas de enfermagem — sempre carinhosas, pacientes, atentas às minhas febres, ataques de pânico e crises de choro. Valeram-me também os amigos que me visitaram e, sobretudo, as companheiras de luta, que mesmo em sofrimento, encontravam força para dar a mão.Este texto é da Rita Pinhão, minha companheira de cama ao lado, há 21 anos:
A Rita foi operada pouco antes de mim. Eu fui a seguir — já num estado de ansiedade enorme. Tinham passado mais de três horas. Entrei no bloco, sedaram-me e não tenho a mínima ideia de quanto tempo lá estive. Quando acordei, perdida no tempo, estava no quarto que me tinha sido destinado. A Rita estava ao lado. Ambas passámos pelo mesmo processo.
A diferença é que eu tive “sorte”. Recuperar não foi fácil, mas consegui. Ainda rebentou um ponto, houve sustos, mas passou.
O meu processo acabou bem. O da Rita teve muitas barreiras.
E é por isso que escrevo isto — porque há histórias que não podem ficar guardadas.
A Rita é o rosto de tantas pessoas que sofreram em silêncio, vítimas de erros que ficaram por assumir e de um sistema de saúde que tantas vezes se esquece daquilo que devia ser essencial: a empatia.
Não gosto muito da palavra “guerreira” — banalizou-se — mas a verdade é que a resiliência da Rita merece ser reconhecida. A sua força, o seu sofrimento e a sua capacidade de continuar merecem ser contados.
O meu processo acabou bem. O da Rita, não.
E é por isso que não podemos calar.
Os erros médicos, os maus-tratos, a falta de humanidade — tudo isso precisa ser denunciado. A saúde em Portugal precisa de um novo rumo. Os profissionais precisam de se lembrar de que do outro lado há uma pessoa frágil, vulnerável, assustada.
E as administrações hospitalares não podem, não devem, fazer tábua rasa de quem sofre.
Falo da Rita, mas podia falar de tantos outros.
De quem foi deixado à sua sorte, de quem foi empurrado para a rua — como eu própria, por ter entrado com uma scooter de mobilidade reduzida numa unidade hospitalar e sido literalmente “colocada” lá fora.
Este país precisa ser mais empático. Precisa olhar para os seus doentes como olha para os seus heróis — porque eles também o são.
A Rita talvez continue a lutar, talvez tenha encontrado paz. Não sei. Mas sei que a sua história vive em mim e em todos os que a conheceram.
As suas cicatrizes, e as de tantos outros, são marcas de dor, sim — mas também de resistência, de fé e de humanidade.
Que esta história sirva para despertar consciências.
Porque a dor, quando partilhada, transforma-se em força.
E a força, quando nasce da verdade, tem o poder de mudar o mundo.

Os desafios sucedem-se e não nos dão tréguas. Mas talvez seja mesmo assim que tem de ser: para nos provar que somos capazes de resistir, de avançar e de nos reinventar. Quando surgem convites para projetos que nos tocam, não é só uma escolha — é quase uma obrigação interior de seguir em frente. Fazemo-lo por nós, pelas causas em que acreditamos, pelas lutas que abraçámos e, sobretudo, pelas pessoas que depositaram em nós a sua confiança.
Acreditar em ti próprio nem sempre é fácil, mas é aí que reside a chave. É olhar para dentro, encontrar aquela força escondida e deixar que ela fale mais alto do que as dúvidas. Saber que és capaz dá-te asas, mas é a humildade que te mantém firme no chão, com os pés assentes e o coração aberto.
E é nesse equilíbrio que, muitas vezes, se abrem caminhos que nunca imaginámos percorrer. Porque os desafios, mais do que obstáculos, podem ser oportunidades de transformação. E cada passo dado, com coragem e verdade, é uma vitória silenciosa que nos empurra mais longe do que pensávamos ser possível.
No fim, tudo se resume a isto: acreditar, persistir e nunca esquecer quem somos.
E também agradecer. Agradecer a quem se lembrou de mim, a quem acreditou. Porque muitos não o fizeram, e até esqueceram o que um dia fui para eles.







Os obstáculos surgem, mas são para serem enfrentados de frente, com coragem e determinação. Temos de ter força para avançar, mesmo quando tudo parece contrário. Estamos cá tão pouco tempo… e cada instante merece ser vivido intensamente.
Muitas vezes foste testada. Muitas vezes aqueles de quem esperavas apoio foram os primeiros a virar-te as costas. Mas foi nesses momentos, onde só pareciam existir fragilidades, que encontraste a tua força. No final, percebes que foram exatamente essas provações que te impulsionaram e te trouxeram até aqui.
Há um vasto rol de pessoas a quem devo agradecer. Elas sabem quem são, mesmo que hoje estejam longe, porque estiveram presentes desde a primeira hora. E há também aqueles que apareceram quando eu mais precisava… aqueles que me levantaram quando eu caí, que me deram força sem nada me deverem.
Dizem que é na adversidade que se conhecem os verdadeiros amigos. E foi assim que aprendi: na adversidade descobri quem permanece, quem verdadeiramente importa.
A todos vós, o meu mais profundo e sincero agradecimento. A vida seria menor sem cada um de vocês.

Castelo Branco volta a dar vida à tradição com a reativação do histórico Concurso do Vestido de Chita, precisamente 80 anos após a sua primeira edição. O evento terá lugar no próximo dia 6 de setembro, às 21h, no Parque da Cidade, recuperando a memória de um certame que marcou gerações.
O primeiro Concurso do Vestido de Chita realizou-se a 30 de agosto de 1944, por iniciativa do Jornal de Notícias, do Porto, e contou com 23 concorrentes. As receitas reverteram, então, a favor do Asilo Distrital da Infância e do Dispensário do Dr. Alfredo Mota. Ao longo das décadas seguintes, a organização esteve a cargo de várias instituições locais, como o Benfica de Castelo Branco, os Bombeiros Voluntários e o Clube de Castelo Branco, até à última edição, nos anos 90 do século passado.
Sob o mote “Dar vida à memória; vestidos que contam a nossa história”, a edição de 2024 reunirá 20 concorrentes, que apresentarão propostas originais, mas também dará palco à memória com o desfile de 10 vestidos históricos que marcaram os desfiles no século passado.
Além dos apoios concedidos para a confeção dos trajes, os vencedores receberão prémios pecuniários em cartões de compras no comércio tradicional, estando ainda previstos prémios de participação para todos os intervenientes.
O júri, composto por cinco albicastrenses em representação da Junta de Freguesia, Câmara Municipal e comunidade, será presidido por Vicente Trindade, bailarino, coreógrafo e designer de figurinos de dança.
A noite será ainda enriquecida por momentos musicais, a cargo dos Cavaquinhos de Castelo Branco e do grupo Musicalbi.
A entrada é livre.






Há quem pague fortunas por experiências de “glamping” — dormir ao ar livre, com todo o conforto. Pois bem, na nossa cidade, esteve disponível durante umas horas um quarto improvisado que reunia tudo: colchão, céu estrelado e localização central.
O “empreendimento” foi instalado junto à linha do comboio, oferecendo aos hóspedes não só o chilrear dos pardais ao amanhecer, como também o suave embalo sonoro das composições ferroviárias. Um pacote completo.
Na noite inaugural, o quarto manteve-se vazio, talvez porque a clientela não estivesse preparada para tamanha exclusividade. Na manhã seguinte… desapareceu. Terá o proprietário arrependido regressado? Terá sido levado por um sonâmbulo desalojado? Ou por um entusiasta do campismo urbano que não resistiu à oportunidade? Mistério.
Certo é que alguém dorme agora na rua… mas em grande estilo. Para o próximo, talvez o colchão apareça na Praça Central. Assim, pelo menos, há público garantido.

Tu és tão eu, que às vezes me assusto.
Vejo-te caminhar com aquela determinação que reconheço no espelho. As mãos falam como as minhas, os olhos brilham com a mesma força — e quando ficas em silêncio, é o mesmo silêncio teimoso que eu fazia.
Tu és o meu reflexo, mas melhorado. Tens a minha coragem, mas usa-la com mais leveza. Herdaste os meus medos, mas dás-lhes menos poder. És feita da mesma matéria — intensa, justa, impaciente, sonhadora — mas vivida à tua maneira, com o teu tempo, o teu corpo, a tua voz.
Somos tão iguais que discutimos como quem se reconhece demais. Mas é nesse espelho que me encontro e me orgulho.